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sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Venezuela que você não verá na Globo


POR QUE OS VENEZUELANOS SÃO O POVO MAIS FELIZ DA AMÉRICA DO SUL
Por PAULO NOGUEIRA


Me interesso muito pelas listas de felicidade nos países mundo afora. Em geral, elas combinam dados sociais e entrevistas nas quais um grupo representativo de pessoas diz qual é seu grau de felicidade numa escala de 1 a 10.
Foi ao ver uma delas, em que a Dinamarca estava na ponta e seus vizinhos nas primeiras colocações, que acabei conhecendo pessoalmente a Escandinávia. Era 2009, e fui para Copenhague para entender o que estava por trás da satisfação dos dinamarqueses. Fiz uma reportagem para a Época, da qual era então correspondente.
Bem, de lá para cá, sempre que posso vou à Escandinávia. Agora mesmo, poucos dias atrás, estive na Noruega e na Dinamarca em missões jornalísticas.
O modelo escandinavo é a coisa mais fascinante que encontrei na Europa. Combina as virtudes do capitalismo com as do socialismo de uma maneira extremamente bem sucedida.
Repare. Em todas as listas relativos a avanço social, a Escandinávia domina.

Bem, fiz este intróito porque outro dia vi uma lista da Gallup que colocava os venezuelanos como o quinto povo mais feliz do mundo.
Um levantamento da universidade americana de Columbia e chancelado pela ONU trouxe também os venezuelanos numa situação invejável: o povo mais feliz da América do Sul.
Como? Mas não é um inferno a Venezuela? Chávez não é o Satã?
Como curioso que sou, fui pesquisar para tentar entender.
Fui dar num estudo feito por um instituto americano chamado CEPR, baseado em Washington: “A Economia Venezuelana nos anos de Chávez”. O CEPR jamais poderia ser desqualificado como “chavista”.
E então fico sabendo coisas como essas:

1) Em 1998, quando Chávez assumiu o poder, havia 1628 médicos para uma população de 23,4 milhões. Dez anos mais tarde, eram quase 20 000 médicos para uma população de 27 milhões.
2) Os gastos sociais subiram de 8,2% do PIB, em 1998, para quase 14%. “Se comparamos a taxa de pobreza pré-Chávez (43,9%) com a registrada dez anos depois (27,5%), chegamos a uma queda de 37% no número de venezuelanos pobres”, afirma o estudo.
3) O índice de desemprego, que era de 19% em 1998, caiu pela metade.
No trabalho, os autores notam que a percepção entre os americanos sobre a Venezuela de Chávez é ruim. Motivo: a cobertura enviesada da mídia. E, com números, desmontam o mito de que o segredo do avanço da Venezuela está no petróleo e apenas nele.



Mas eu queria saber mais.
Dei no site do Jazeera, uma emissora árabe bancada pelo Catar que faz jornalismo de primeira qualidade. O Jazeera traz vozes que você não costuma encontrar na imprensa brasileira, e isso ajuda você a entender melhor o mundo.
Vi um programa jornalístico cujo título era: “Os venezuelanos estão melhor sob Chávez?” Como sempre, o Jazeera colocou especialistas com visão diferente. Um comentarista americano criticou o “espírito de mártir” de Chávez.
Mas os dados objetivos ninguém contestou. A mortalidade infantil diminuiu, a expectativa de vida aumentou, o número de universitários cresceu e as crianças venezuelanas testão indo à escola numa quantidade sem paralelo na história do país.
Um consultor americano de empresas interessadas em investir no exterior disse: “Quem quer que queira se eleger na Venezuela vai ter que dar prosseguimento aos programas sociais”.
Problemas? Muitos. Criminalidade alta, pobreza e desigualdade ainda elevadas. Mas atenção: os problemas antes eram muito maiores. (Vale a pena ver o premiado documentário do jornalista australiano John Pilger, radicado na Inglaterra, sobre o papel dos Estados Unidos na América do Sul. O nome é Guerra contra a Democracia. Ele está disponível, em fatias, no YouTube, com legendas em português. Pilger visitou a Venezuela e entrevistou Chávez.)
Da imersão em Venezuela, compreendi por que Chávez é tão popular – e por que seu maior adversário nas eleições futuras é, na verdade, o câncer.

Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.

domingo, 14 de agosto de 2011

London Burning


LONDRES - Um dos mais influentes acadêmicos europeus, já descrito por alguns comentaristas mais entusiasmados como o mais importante sociólogo vivo da atualidade, o polonês Zygmunt Bauman viu nos distúrbios de Londres uma aplicação prática de suas teorias sobre o papel do consumismo na sociedade pós-moderna. Um assunto que o acadêmico, radicado em Londres desde 1968, quando deixou a Polônia após virar persona non grata para o regime comunista e por conta de uma onda de anti-semitismo no país, explorou bastante em conjunção com as discussões sobre desigualdade social e ansiedade de quem vive nas grandes cidades.

Aos 85 anos, autor de dezenas de livros, como "Amor líquido" e "O mal-estar da pós-modernidade", Bauman não dá sinais de diminuir o ritmo. Há cinco anos, no lançamento de "Vida para Consumo", uma de suas obras mais populares, fez uma turnê por vários países. Em entrevista ao GLOBO, por e-mail, ele afirma que as imagens de caos na capital britânica nada mais representaram que uma revolta motivada pelo desejo de consumir, não por qualquer preocupação maior com mudanças na ordem social.

- Londres viu os distúrbios do consumidor excluído e insatisfeito.

O GLOBO: O quão irônico foi para o senhor ver os distúrbios se concentrando na pilhagem de roupas e artigos eletrônicos?

ZYGMUNT BAUMAN: Esses distúrbios eram uma explosão pronta para acontecer a qualquer momento. É como um campo minado: sabemos que alguns dos explosivos cumprirão sua natureza, só não se sabe como e quando. Num campo minado social, porém, a explosão se propaga, ainda mais com os avanços nas tecnologias de comunicação. Tais explosões são uma combinação de desigualdade social e consumismo. Não estamos falando de uma revolta de gente miserável ou faminta ou de minorias étnicas e religiosas reprimidas. Foi um motim de consumidores excluídos e frustrados.

O GLOBO:Mas qual a mensagem que poderia ser comunicada?

BAUMAN: Estamos falando de pessoas humilhadas por aquilo que, na opinião delas, é um desfile de riquezas às quais não têm acesso. Todos nós fomos coagidos e seduzidos para ver o consumo como uma receita para uma boa vida e a principal solução para os problemas. O problema é que a receita está além do alcance de boa parte da população.

O GLOBO:Trata-se de um desafio a mais para as autoridades na tarefa de acalmar os ânimos, não?

BAUMAN: O governo britânico está mais uma vez equivocado. Assim como foi errado injetar dinheiro nos bancos na época do abalo global para que tudo voltasse ao normal - isso é, as mesmas atividades financeiras que causaram a crise inicial - as autoridades agora querem conter o motim dos humilhados sem realmente atacar suas causas. A resposta robusta em termos de segurança vai controlar o incêndio agora, mas o campo minado persistirá, pronto para novos incêndios. Problemas sociais jamais serão controlados pelo toque de recolher. A única solução é uma mudança cultural e uma série de reformas sociais. Senão, a mistura fica volátil quando a polícia se desmobilizar do estado de emergência atual.

O GLOBO:Jovens de classe baixa reclamam demais da falta de oportunidades de trabalho e educação. O senhor estranhou não ter visto escolas pegando fogo, por exemplo?

BAUMAN: Qualquer que seja a explicação dada por esses meninos e meninas para a mídia, o fato é que queimar e saquear lojas não é uma tentativa de mudar a realidade social. Eles não se rebelaram contra o consumismo, e sim fizeram uma tentativa atabalhoada de se juntar ao processo. Esses distúrbios não foram planejados ou integrados, como se especulou no início. Tratou-se de uma explosão de frustração acumulada. Muito mais um porquê que um para quê.

O GLOBO:Mesmo o argumento de protesto contra os cortes de gastos do governo não deve ser levado em conta?

BAUMAN: Até agora, não percebi qualquer desejo mais forte. O que me parece é que as classes mais baixas querem é imitar a elite. Em vez de alterar seu modo de vida para algo com mais temperança e moderação, sonham com a pujança dos mais favorecidos.

O GLOBO:Mais problemas são inevitáveis, então?

BAUMAN: Enquanto não repensarmos a maneira como medimos o bem-estar, sim. A busca da felicidade não deve ser atrelada a indicadores de riqueza, pois isso apenas resulta numa erosão do espírito comunitário em prol de competição e egoísmo. A prosperidade hoje em dia está sendo medida em termos de produção material e isso só tende a criar mais problemas em sociedades em que a desigualdade está em crescimento, como no Reino Unido.



quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Mal Estar


Extrema direita e fundamentalismo... lá e aqui
Estamos vendo um avanço do fundamentalismo de direita que une xenofobia, moralismo e conservadorismo, pautada em visões distorcidas da história, da religião, da cultura. Quando tudo isso se banha na frustração sexual, financeira, social, etc. pode virar uma arma letal!

É quando alguém não se contenta em ser ou não ser: é contra o outro não ser ou ser.
É quando alguém não se contenta consigo mesmo e quer que a sociedade se paute nos seus valores e na sua verdade.
Breivik, um fascista, sonha com uma identidade coletiva. Ele não combate o multiculturalismo coisa nenhuma! Ele combate é a liberdade.

Uma coisa é não ser... outra é ser CONTRA o que o outro é.

Discursos generalizantes e totalizadores que associam um fato a uma regra e daí justificam medidas de exceção e atos extremos.

Pensamento binário mais rasteiro impossível.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Comemorar o quê ?



Entrevistador: Os americanos reagiram à notícia da morte de Bin Laden com festa e era possível ver cenas de comemoração e euforia nas ruas. Existe razão para comemorar? Essa euforia é justificável?

Maria Aparecida Aquino: Não. Se a gente admitir que existe razão para comemorações neste momento, então estaríamos admitindo que existe razão para comemorar um assassinato. Uma coisa que normalmente não se comenta é que os Estados Unidos gostam de jogar na cara de todos os outros países que eles são os guardiões da democracia do mundo, e sempre interferem nos outros países para assegurar a democracia. Entretanto, o que eles fizeram nesse caso é simplesmente um assassinato. Se houve um crime e você está atrás de uma pessoa que é teoricamente uma das responsáveis por esse crime, você tem o direito de pegar essa pessoa e submetê-la a um julgamento. Mas o que aconteceu foi simplesmente um assassinato.
Há meses vem sendo preparada, junto com o governo do Paquistão, toda uma operação para chegar à casa de Osama Bin Laden. A ordem que se tinha era metralhar, a ordem era atirar. Fica difícil pensar em motivo para comemoração.
O que podemos observar é que toda a euforia inicial nos Estados Unidos já baixou um pouco, porque eles têm um temor muito grande – e devem mesmo; pensar que a Al Qaeda se restringe a um homem só, Osama bin Laden, é uma tolice. A Al Qaeda é uma imensa organização. E quase certo que haja retaliações. Então, em circunstância alguma teríamos motivos para comemorar, mesmo pertencendo à população americana, mesmo sendo o presidente dos Estados Unidos.
Se pessoas como nós, pessoas comuns, simplesmente coadunássemos com a ideia de comemoração, estaríamos coadunando contra todos os princípios que os próprios Estados Unidos dizem defender com tanta força.

Entrevistador: Então é possível imaginar que os Estados Unidos poderiam ter feito uma captura sem recorrer a assassinato?

Aquino: Lógico. Eles tinham noção da localização. Planejaram a ação muito cuidadosamente. Chegaram até a casa e uma vez lá não havia condições de reação. Eles simplesmente metralharam quem estava pela frente.

Entrevistador: Com relação ao corpo, como a senhora interpreta essa decisão dos Estados Unidos jogá-lo ao mar?

Aquino: A notícia de que eles teriam jogado o corpo ao mar é mais grave ainda, porque você não só submete o inimigo a um assassinato, como você também impede o ritual da morte.
Mesmo que não haja uma retaliação imediata, em breve essa ficha acaba caindo, mesmo entre a população, de que nem mesmo o direito à morte foi dado. Um dos maiores pilares da democracia é o habeas corpus, que em uma tradução muito simples do latim quer dizer: que se tenha direito ao corpo. Então foi negado um elemento característico do estado de Direito.
Os americanos têm direito de estar muito zangados com o que aconteceu no 11 de setembro? Sim. Têm direito de investigar quem seriam os responsáveis? Sim. Mas a forma como se faz isso pode acabar por retirar todos os direitos que nos restam.

Entrevistador: É possível imaginar que os Estados Unidos enxerguem a morte de Bin Laden como a morte do “mal”?

Aquino: É o que eles defendem. No fundo, eles pretendem impor ao mundo inteiro uma ideia: de que estão cobertos de razão, de que a humanidade pode respirar aliviada e de que agora estamos livres do mal, já que o mal estava condensado em uma pessoa. Mas isso é uma ilusão de ótica. É como os mágicos fazem: você olha para o outro lado, não presta atenção na prestidigitação que ele está fazendo com as mãos. Não podemos cair nesta história.
Isso não significa defender o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, que foi um ato terrível e ofendeu a humanidade. Não significa negar o direito da população americana de buscar os culpados. Mas defender a forma como isso foi feito será dar aos Estados Unidos a possibilidade de amanhã entrar em qualquer uma de nossas casas e dizer: ‘olha, imaginei que aqui houvesse um terrorista e andei metralhando’. É muito grave o que aconteceu. Ou seja, não há motivo para comemoração.

domingo, 3 de outubro de 2010

O Secularismo Europeu

A Europa que construiu o cristianismo e serviu de plataforma para a expansão global da fé cristã, é hoje, paradoxalmente, um continente de igrejas vazias. Nas imponentes catedrais há mais turistas admirados com a arquitetura do que fervor religioso.




Apenas dois de cada dez católicos comparecem com regularidade à missa na Europa Ocidental. No Leste Europeu são 14%. Nos anos 60, quando Joseph Ratzinger, atual Bento XVI, chegou a Roma para assessorar os cardeais nas discussões do Concílio Vaticano II, oito de cada dez crianças nascidas em lares católicos na França recebiam o batismo. Hoje, só uma em duas. A debandada do rebanho é sentida com intensidade até nos países cuja maioria católica é avassaladora, como a Espanha (90% dos jovens espanhóis jamais vão à missa) e a Itália (só um em cada quatro católicos vai à igreja). Na Alemanha, terra natal do novo pontífice, o comparecimento à missa é de reles 15%.

Em vários países faltam padres por causa da queda no número de seminaristas. Em 2004, menos de noventa padres foram ordenados na França. Na Alemanha, há 9.000 sacerdotes para 13.000 paróquias. De exportadora de missionários com a palavra de Cristo, a Europa agora recruta padres na África e na Ásia. Só na Alemanha há 1 400 padres africanos e asiáticos atuando em suas paróquias. Os teólogos debatem há anos as causas da debandada do rebanho europeu – mas não há, por enquanto, uma resposta que sirva a todas as perguntas. As pesquisas demonstram que não se trata apenas de um surto de ateísmo. Também não é certo falar em crise de espiritualidade. Apesar de escassas nos bancos das igrejas, multidões se lançam em peregrinações a Santiago de Compostela, na Espanha, ao Santuário de Fátima, em Portugal, ou vão a Roma com a esperança de ver o papa. "Na Europa, o interesse na Igreja Católica diminuiu porque, cada vez mais, as pessoas encaram a fé religiosa como algo individual e privado, que dispensa a intermediação de uma instituição", disse a VEJA o teólogo alemão Christian Schmidtmann. Segundo ele, em lugar de aceitar como verdadeira uma única linhagem religiosa, os europeus atuais constroem verdadeiras "religiões de retalhos", costuradas apenas com os elementos que lhes interessam, descartando o resto.

O fenômeno é claramente europeu e se deve, em parte, ao fato de a Europa ser o berço do racionalismo. Com o avanço da ciência e do acesso à educação para uma parcela maior da população, as pessoas passaram a encontrar na razão respostas para questões que antes só a religião podia oferecer. Na África, o número de católicos triplicou nos últimos 25 anos. Na Ásia, quase dobrou. Na América Latina, a religião continua confortavelmente majoritária, apesar do assédio pentecostal.

A idéia defendida por teólogos liberais é a de que o rigor do papa em temas morais – como o veto ao uso de preservativos, ao aborto, ao sacerdócio feminino e ao casamento homossexual – estava na contramão da vida moderna e, com isso, afugentava os fiéis.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Implosão Demográfica na Alemanha

Apesar de todas as medidas do governo de incentivo aos nascimentos, a população da Alemanha continua encolhendo. De acordo com o Departamento Federal de Estatistica, no ano passado houve uma queda de 3,6% no número de nascimentos, passando para 651 mil. Como o número de óbitos foi 190 mil maior do que o número de nascimentos , a população alemã encolheu de novo, passando para menos de 82 milhões.
As previsões para o futuro da maior economia da Europa são sombrias. No ano de 2050, a população da Alemanha deverá ser de apenas 66 milhões. Já na França, o segundo maior pais da União Européia, onde a taxa de natalidade é quase duas vezes mais alta, a população atual, que é de 64 milhões de habitantes, deverá subir para 66 milhões.
A redução do número de nascimentos surpreendeu os politicos. Há poucos anos, o governo lançou um pacote de incentivo às familias. Além do “salário criança”, de 120 euros mensais por cada criança, até atingir a maioridade, o governo lançou o “salário dos pais”, com o pagamento de 67% do salário para a mãe que fique em casa cuidando do bebê no seu primeiro ano de vida. Se é o pai que fica em casa, o pagamento é prolongado por mais três meses. Em 2013, entrará em vigor a garantia do governo de vaga no jardim da infância para todas as crianças entre três e seis anos de idade.
Ao contrário dos cálculos do governo, porém, de incentivar sobretudo mulheres acadêmicas a ter mais filhos, foram atrás da ajuda do governo os casais que já queriam ter filhos mesmo sem a ajuda.
Há várias explicações para a falta de interesse das mulheres alemãs em ter filhos. A principal é a falta de infraestrutura. Apenas no leste (antiga Alemanha Oriental), há creches e escolas de dois turnos. No ocidente, apenas uma minoria das crianças têm acesso ao jardim da infância, não há creches suficientes e a escola funciona apenas durante a manhã.
De acordo com os especialistas, a população vai encolher mais nas áreas rurais. Já hoje há o problema das aldeias que estão ficando abandonadas. Mas os analistas vêem com preocupação também a falta de mão de obra. A população economicamente ativa diminuirá em 30% nos próximos anos.
Os pesquisadores afirmam que o único meio de evitar esse cenário sombrio é o incentivo da imigração.

Quanto mais religioso, mais pobre o país

Quanto mais religioso, mais pobre tende a ser um país, diz pesquisa
Hélio Schwartsman

Quanto mais religiosos são os habitantes de um país, mais pobre ele tende a ser. Essa é a conclusão de uma pesquisa Gallup feita em 114 nações e divulgada no último dia 31 que mostra uma correlação forte entre o grau de religiosidade da população e a renda "per capita".

Correlação, vale lembrar, é um conceito traiçoeiro. Quando duas variáveis estão correlacionadas, tanto é possível que qualquer uma delas seja a causa da outra como também que ambas sejam efeitos de outros fatores.

Desde o século 19, a sociologia tem preferido apostar na tese de que a pobreza facilita a expansão da religião. "Em geral, as religiões ajudam seus adeptos a lidar com a pobreza, explicam e justificam sua posição social, oferecem esperança, satisfação emocional e soluções mágicas para enfrentar problemas imediatos do cotidiano", diz Ricardo Mariano, da PUC-RS.

"As religiões de salvação prometem ainda compensações para os sofrimentos e insuficiências desta vida no outro mundo", acrescenta.

O sociólogo, porém, lembra que há outros fatores: "A restrição à liberdade religiosa, ideologias secularistas e o ateísmo estatal dos países socialistas contribuíram para a baixa importância que sua população atribui à religião, como ocorre na Estônia, campeã nesta matéria, e na própria Rússia".

Já na Europa Ocidental, diz Mariano, "modernização, laicização do Estado e relativismo cultural erodiram bastante a religiosidade".

A grande exceção à regra são os EUA. Com uma das maiores rendas "per capita" do planeta, 65% dos norte-americanos atribuem importância à religião em sua vida diária. Tal índice é bem superior à média dos países mais ricos, que é de 47%.

Sem descartar um papel para as explicações sociológicas mais tradicionais, que chama de "fator ópio do povo", Daniel Sottomaior, presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) aventa algumas hipóteses na direção contrária, isto é, de que a religião é causa da pobreza. "Ela promove o fatalismo e o deus-dará", diz.

Em certos lugares, notadamente alguns países islâmicos, ela desestimula a educação e impede a adoção do pensamento científico.

Além disso, afirma Sottomaior, "a religião não apenas não gera valor como sequestra bens, dinheiro e mentes que deixam de ser empregados em atividades econômicas e de desenvolvimento".

RELIGIOSOS

Para religiosos ouvidos pela Folha, é a riqueza que pode reduzir o pendor das pessoas à religiosidade.

Segundo o padre jesuíta Eduardo Henriques, "a abertura a Deus é inversamente proporcional à segurança oferecida pela estabilidade econômico-financeira, com exceções, é claro. Espiritualmente falando, os pobres tornam-se sinais mais eloquentes de que ninguém, pobre ou rico, basta a si mesmo. Por isso Jesus chamou os pobres de bem-aventurados".

Já para o pastor batista Adriano Trajano, a pesquisa mostra que quanto maior for o estado de pobreza e pouco desenvolvimento econômico no país, "maior será a busca por subterfúgios sobrenaturais, pois a religião tem esse poder de transportar o necessitado a um mundo de cordas divinas". "Que a religião desempenha um papel importante nas sociedades, não há dúvida, resta saber até que ponto esse papel favorece a vida?", pergunta.

O teólogo adventista Marcos Noleto é mais radical: "Há uma incompatibilidade da fé prática com a riqueza. Assim como dois corpos não podem ocupar um mesmo lugar no espaço, na mente do homem não há lugar para duas afeições totais. Veja que Deus escolheu um carpinteiro e não um banqueiro para ser o pai de Jesus".

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domingo, 27 de junho de 2010

Islandia tem 1º Chefe de Estado assumidamente gay do mundo

Parlamento aprovou legalização do casamento gay, que vale desde hoje.
Johanna Sigurdardottir é 1.ª chefe de Estado a assumir homossexualidade.
France Presse
A primeira-ministra islandesa, Johanna Sigurdardottir, uniu-se em matrimônio com sua companheira este domingo, no primeiro dia de vigência da lei que legaliza os casamentos entre pessoas do mesmo sexo no país nórdico.

Segundo a TV islandesa RUV, a chefe de Estado casou-se oficialmente com sua companheira, Jonina Leosdottir, após apresentar processo para transformar sua união civil em casamento.
O principal meio islandês informou que não houve cerimônia particular.
O Parlamento islandês adotou por unanimidade, em 12 de junho, a legalização do casamento homossexual, uma lei que começou a vigorar este domingo.
Até agora, os casais de mesmo sexo podiam se unir legalmente e beneficiar-se dos mesmos direitos que os casais heterossexuais, mas a união não era formalmente um casamento.
Sigurdardottir, primeira-ministra desde fevereiro de 2009, é a primeiro chefe de governo a declarar sua homossexualidade abertamente.

Políticos Gays

Bertrand Delanoe, prefeito de Paris

Em 1995, Bertrand Delanoe foi eleito Senador por Paris. No Senado, foi secretário do Comitê de Assuntos Externos e Defesa. É o prefeito de Paris desde 2001.
Delanoë foi um dos primeiros políticos franceses de um grande partido a anunciar sua homossexualidade, durante uma entrevista televisiva em 1999 (antes de ser eleito prefeito). Sua eleição tornou Paris a maior cidade do mundo liderada por um político abertamente homossexual. Sofreu um atentado em 5 de outubro de 2002 durante a Nuit Blanche, uma noite de festividades em Paris. O agressor, Azedine Berkane, alegadamente disse à policia que "não gostava de homossexuais". Delanoë é cogitado como um dos pré-candidatos à Presidência da França em 2012, quando acaba o atual mandato de Nicolas Sarkozy.


Klaus Wowereit, prefeito de Berlim

Prefeito desde 2001, tendo sido reeleito em 2006. É considerado um potencial candidato do SPD a chanceler da Alemanha. Wowereit namora Jörn Kubicki, um neurocirurgião 12 anos mais novo que ele.
Em março deste ano Klaus Wowereit, deu voz de prisão a um grupo de turistas paulistas que estavam num restaurante de Berlin. De acordo com a colunista Anna Ramalho, do Jornal do Brasil, assim que avistaram o prefeito, o grupo soltou comentários do tipo, “olha lá, o prefeito bicha”. Mal sabiam eles que Wowereit já esteve várias vezes no Rio de Janeiro, e que conhece, portanto, muitas palavras em português. O prefeito levou todos para a delegacia por desacato à autoridade. Segundo fontes do jornal, se o tivessem tratado por outro termo, como “gay”, ele não teria criado caso.

Ole von Beust, prefeito de Hamburgo
Sua eleição também em 2001, fez de Hamburgo, uma das grandes cidades alemãs com um prefeito abertamente homossexual, juntamente com Berlin, a capital do país. Berlim e Hamburgo são tanto as duas maiores cidades da Alemanha quanto cidades-estados, fazendo de Wowereit e von Beust os dois primeiros governadores gays da Alemanha.

Nick Brown, parlamentar inglês
Ex-ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação do Reino Unido, Brown é membro do Parlamente desde 1983 e foi apontado como secretário parlamentar do Tesouro. Aliado do primeiro-ministro Gordon Brown, manteve sua sexualidade em particular até 1998, quando foi forçado a fazer uma declaração pública após tabloides noticiarem ter encontrado um ex-amante dele.

Annise Parker, prefeita de Houston
Em dezembro, a democrata Annise Parker se tornou a primeira prefeita abertamente homossexual eleita na cidade texana de Houston, a quarta maior dos Estados Unidos, com mais de 2 milhões de habitantes. A eleição de Parker, marcada por uma forte retórica anti-homossexual, deu a gays e lésbicas americanos uma vitória simbólica após derrotas sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia e em Maine.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cronologia do Apartheid





Racismo Constitucional
Ao longo do séc XX, a África do Sul caminhou na contramão do resto do mundo. Enquanto a maioria das nações legislava para suavizar preconceitos e formas de segregação, naquele país o esforço era inverso. Apartar brancos de negros se tornou questão legal e constitucional, além de territorial, e definiu um regime de governo.

Cronologia do Apartheid:
1913 - O Native Land Act reparte o território do país. Os dois terços da população compostos por negros ficam com 7,5% das terras. A minoria branca abocanha nada menos que 92,5%. Um negro só pode viver fora de suas terras se estiver empregado em propriedades de brancos.
1949 - Proibição de casamentos mistos. Restrição do direito de ir e vir dos negros, obrigados a portar passes especiais para circular nas cidades.
1950 - Proibição de relações sexuais entre negros e brancos. Obrigatoriedade de definição da "raça" nos registros de nascimento. Proibição de partidos de oposição ao governo. Criação de áreas especiais, 100% habitadas por brancos - negros só entravam para trabalhar.
1951 - Criação dos "bantustões" (homelands) onde negros podiam residir e supostamente ter propriedades. A idéia era criar uma África do Sul inteiramente branca, controlando bolsões negros como se fossem nações separadas, mas dependentes.
1953 - Proibição do uso dos mesmos locais públicos por negros e brancos - bebedouros, banheiros etc. Criação de um sistema de ensino especial para negros, com o claro objetivo de rebaixar a formação dos nativos.
1956 - Aprovação de leis que regula a segregação profissional.
1958 - Segundo passo do projeto de uma África do Sul 100% branca: lei dá "independência" aos "bantustões", mas com líderes indicados pelo governo sul-africano.
1971 - É proibida a cidadania sul-africana aos habitantes dos "bantustões". Eles podiam trabalhar no país de origem, mas na condição de "imigrantes".

O Pós-Apartheid
Em 2 de Fevereiro de 1990, na abertura do parlamento, o presidente sul-africano de Klerk declarou que o apartheid havia fracassado e que as proibições aos partidos políticos, incluindo o ANC, seriam retiradas. Nelson Mandela foi libertado da prisão. De Klerk seguiu abolindo todas as leis remanescentes que apoiavam o Apartheid. Mandela torna-se presidente nas primeiras eleições presidenciais livres em muitos anos, fazendo um governo de conciliação nacional.

No caso da África do Sul, a segregação foi uma invenção holandesa (Afrikaner) que já estava bem estabelecida bem antes da ocupação inglesa. Os holandeses, carregam entre suas tradições mais caras o racismo de pele, herança maldita do calvinismo. Se não fosse assim, este problema já crônico seria muito mais fácil de enfrentar.Aliás o apartheid foi comandado pelos afrikaners, pois a divisão na África do Sul não se dá somente entre brancos e negros, mas também entre afrikaners (holandeses) e ingleses. Eles não vivem nos mesmos subúrbios, não freqüentam os mesmos clubes, as mesmas escolas, é tudo meio separado.

Os ingleses (40% dos brancos), são mais ricos, vivem na sua maioria em Johannesburg, Cape Town e Durban, e pouco se importam com os afrikaners (os maiores alvos da antipatia negra). Já os afrikaners (60% dos brancos) são bem conservadores, são bem identificados com o campo, menos prósperos que os ingleses, e vivem por todo o país, especialmente nas cidades médias e menores, exceção feita à Pretoria, única metrópole que eles suplantam os ingleses. Em Cape Town por exemplo, os subúrbios norte são Afrikaners, enquanto os ingleses vivem nos subúrbios sul.

A taxa de homicidios é extratosférica, no entanto mais importante do que a quantidade de homicídios é a forma como eles acontecem. No Brasil, a maioria absoluta ocorre dentro dos próprios bolsões de pobreza, entre guerras de traficantes e cobranças de dívidas de droga. Claro que há latrocínios, mas não na mesma intensidade.
Em Johannesburg, a situação é muito mais grave do que no Rio ou em São Paulo. Não é guerra de tráfico e nem briga de peixeira na periferia que alavanca as estatísticas, mas crimes brutais que acontecem ao longo da cidade inteira, com exceção dos subúrbios ricos e habitados exclusivamente por gente branca. a herança maldita do apartheid é essa. A tendência é que cada vez mais os brancos se mudem do país, algo que já vem acontecendo há algum tempo.

Respira-se medo na África do Sul, e especialmente em Johannesburgo. Você sente o ar pesado, as pessoas preocupadas. Sandton, um distrito chique de Johannesburg, na verdade é uma coleção de shopping centers e protegidíssimos condomínios residenciais. Em Sandton as pessoas não andam nas ruas. Saem de casa e, ainda dentro do seu condomínio fechado, entram em seus carros blindados. Alguns carros são equipados com lança-chamas. As janelas vão fechadas até o local de trabalho, que ficam em torres de escritórios acopladas aos tais shopping centers. Trabalha-se, come-se e vive-se dentro de enormes complexos de lojas e escritórios. Muitos brancos moram em condomínios fechados em que, para chegar até a porta da sua casa, é preciso vencer três barreiras de grades e cercas elétricas. Como se um Tiranossauro Rex a qualquer momento pudesse invadir o local.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Zimbabwe


Dentre os países mais pobres da Africa, atualmente, o caso mais dramático é o do Zimbábue. O ditador do país, Robert Mugabe, está no poder desda a d[ecada de 80. O Zimbábue tem a mais alta taxa de inflação do planeta (cerca de nove mil por cento ao mês), desemprego em massa (85%), fome e açoitado pela AIDS (expectativa média de vida de 37 anos). E o ditador apontado como o mais corrupto do mundo, vive no luxo enquanto seu povo na mais completa miséria.

Mas o Zimbabwe nem sempre foi assim. Há 30 anos atrás, o país era considerado próspero, com futuro. A antiga Rodésia do Sul - tornada independente em 1965 pelo branco Ian Smith - era um posto avançado ilusório de vida colonial na qual muitos dos 270 mil brancos pareciam ignorar alegremente a guerra que transcorria em prol dos 7 milhões de negros. Eles passavam filtros solares à beira de piscinas, jogavam boliche na grama aparada do Parque Salisbury e escutavam diariamente o rádio para ouvir coisas como "Bote o lixo para fora" na língua shona. Havia no país o regime segregacionista do apartheid. Ian Smith foi pressionado pelos EUA e Inglaterra a abrir o país aos negros, apoiando o revolucionário Robert Mugabe. Conquistada a auto-determinação, os negros venceram e expropriaram as terras dos brancos, no entanto tais medidas acabaram por desestruturar a economia do país.

Mugabe não está sozinho. Ele se mantém no poder à moda tradicional dos chefes africanos, apoiado por seu clã e uma extensa clientela, assim como as Forças Armadas, tendo como base seu partido, o ZANU, que depois do fim do regime de minoria branca tomou de assalto não apenas o governo, mas o Estado e até as instituições econômicas, tornando o ZANU e a República do Zimbábue uma só instituição. Quem fosse contra o ZANU ou Mugabe era contra o Zimbábue.

Ao contrário do que se diz não se fez uma reforma agrária; os agricultores negros foram mantidos sob dependência estrita da burocracia (que não chegara a ser tecnocracia) dos "donos do poder" no Estado, com um péssimo planejamento agrícola. Isso aí descredibiliza a reforma agrária, que sim, era justa a desapropriação dos colonizadores cujos capitais não eram socializados. No entanto, os brancos empregavam a população local que assim tinha empregos, salários e mesmo injustamente destituídos de direitos eles podiam pelo menos comprar o que comer. Agora ficaram sem nem mesmo ter de onde tirar o mínimo sustento que tinham pois as terras confiscadas não foram dadas a eles, mas aos membros do ZANU.

Os ex-trabalhadores do campo nem conseguem se instalar em Harare com o êxodo rural, pois a policia derruba os barracos improvisados fazendo que todos durmam pelas ruas mesmo. E as terras confiscadas não produzem sequer commodities (quem dera ainda produzissem!), muito menos alimento a preços acessíveis para as pessoas. Em 26/06/09, Mugabe ordenou que os preços dos alimentos e serviços fossem reduzidos pela metade. Os que não cumpriram a exigência foram presos, desde diretores de empresas até vendedores de rua. Já são 7.600 à espera de julgamento. A medida levou ao fechamento das lojas, pois os comerciantes afirmam que não podem vender seus produtos por menos do que pagaram por eles. Se perguntarem para o povo quem era melhor, dirão que no tempo dos brancos (antes de 1980) a vida era melhor do que agora. Hoje muitos desses veteranos da revolução, quase todos sem nenhuma experiência de trabalho agrícola, querem vender suas terras de volta aos brancos, mas estes acabaram por ficar receosos.

É claro que a Rodésia tinha problemas político-sociais terríveis, baseadas sobretudo na falta de direitos politicos dos negros, mas tinha pelo menos uma classe média que não era só do brancos. O próprio Mugabe que estudou em Colégio Marista e em uma Universidade inglesa era parte desta classe média. Não era o esquema "brancos ricos" X "negros pobres". Havia menos desigualdade sócio-racial que no Brasil na mesma época. Atualmente não há classe média alguma no Zimbabwe.

Professores, médicos, engenheiros, advogados tanto brancos como negros ficaram pauperizados ou tiveram que se exilar e agora sim, há um abismo social gigantesco e a tal da reforma agrária controvertida não é a que começou ainda antes da fundação do Zimbabwe e que se arrastou por décadas adentro (e que teve até apoio do governo trabalhista inglês, a certa altura), mas a que foi imposta a partir de 2002, que expulsou fazendeiros (mesmo os que compraram terras após 1980) sem nenhuma compensação para beneficiar partidários da revolução, sob a manjada premissa do "é dando que se recebe". A suposta reforma agrária não foi a única responsável pelos atuais problemas econômicos do Zimbabwe, mas representou a gota d'água que faltava para fazer o país chegar ao fundo poço.

Ao contrário de Mugabe, a política conciliatória com os brancos de Mandela, ajudou a África do Sul a se manter como o país mais desenvolvido do continente, sem excluir a existência de um forte empresariado negro no país, fazendo negócios associados a seus compatriotas brancos e sul-asiáticos. No Zimbábue, o empresariado se constitui no próprio senhor Mugabe e sua patota. Mugabe, fez o mesmo que Isabel de Castela em relação aos judeus: prejudicou um dos contingentes mais produtivos da população local, todos nascidos lá e tão zimbabueanos como ele empurrando o país ainda mais fundo para a vala do atraso econômico, só para afirmar politicagem demagógica.

O país é um dos mais ricos do mundo em termos de riquezas naturais (ouro, diamantes, urânio), mas submetido a um governo ineficiente e altamente corrupto, que se eterniza no poder. Culpar os países "brancos" pela situação sócio-política no Zimbábue é totalmente injustificado ainda mais se colocando a desculpa do racismo como se isso explicasse tudo, sem precisar analisar a complexidade da conjuntura. Se há de acusar a comunidade mundial por qualquer coisa seria pelo cinismo de não submeter o regime do Sr. Mugabe a justificáveis boicotes e sanções econômicas como se fez com o regime do já mencionado Sr. Ian Smith. O fato de Mugabe ser negro e Ian Smith ser branco não diferencia a ilegitimidade de ambos os regimes.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Haiti - Earthquake

Trechos do Livro dos Espíritos - Codificado por Allan Kardec
Da Lei de Destruição

728 A destruição é uma lei natural?

– É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos.

732 A necessidade de destruição é a mesma em todos os mundos?

– É proporcional ao estado mais ou menos material dos mundos e cessa quando os estados físico e moral estão mais depurados. Nos mundos mais avançados as condições de existência são completamente diferentes.

733 A necessidade da destruição existirá sempre entre os homens na Terra?

– A necessidade de destruição diminui e se reduz entre os homens à medida que o Espírito se sobrepõe à matéria; é por isso que se constata o horror à destruição crescer com o desenvolvimento intelectual e moral.

737 Com que objetivo os flagelos destruidores atingem a humanidade?

– Para fazê-la progredir mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É preciso ver o objetivo para apreciar os resultados dele. Vós os julgais somente do ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que ocasionam; mas esses aborrecimentos são, na maior parte das vezes, necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos.

738 A Providência não poderia empregar para o aperfeiçoamento da humanidade outros meios que não os flagelos destruidores?

– Sim, pode, e os emprega todos os dias, uma vez que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem que não tira proveito disso; é preciso castigá-lo em seu orgulho e fazer-lhe sentir sua fraqueza.

738 a Mas nesses flagelos o homem de bem morre como o perverso; isso é justo?

– Durante a vida, o homem sujeita tudo ao seu corpo; mas, após a morte, pensa de outro modo e, como já dissemos, a vida do corpo é pouca coisa; um século de vosso mundo é um relâmpago na eternidade. Portanto, os sofrimentos que sentis por alguns meses ou alguns dias não são nada, são um ensinamento para vós e servirão no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, compõem o mundo real. (Veja a questão 85.) Esses são filhos de Deus e objeto de toda a sua solicitude; os corpos são apenas trajes sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que destroem os homens, é como se um exército tivesse durante a guerra seus trajes estragados ou perdidos. O general tem mais cuidado com seus soldados do que com as roupas que usam.

738 b Mas nem por isso as vítimas desses flagelos são menos vítimas?

– Se considerásseis a vida como ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Essas vítimas encontrarão numa outra existência uma grande compensação para seus sofrimentos se souberem suportá-los sem se lamentar.
Quer a morte chegue por um flagelo ou por uma outra causa, não se pode escapar quando a hora é chegada; a única diferença é que, nos flagelos, parte um maior número ao mesmo tempo.
Se pudéssemos nos elevar pelo pensamento, descortinando toda a humanidade de modo a abrangê-la inteiramente, esses flagelos tão terríveis não pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

739 Os flagelos destruidores têm alguma utilidade do ponto de vista físico, apesar dos males que ocasionam?

– Sim, eles mudam, muitas vezes, as condições de uma região; mas o bem que resulta disso somente é percebido pelas gerações futuras.

740 Os flagelos não seriam para o homem também provas morais que os submetem às mais duras necessidades?

– Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar sua inteligência, mostrar sua paciência e sua resignação à vontade da Providência, e até mesmo multiplicam neles os sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não é dominado pelo egoísmo.

741 É dado ao homem evitar os flagelos que o atormentam?

– Sim, em parte, embora não como se pensa geralmente. Muitos dos flagelos são a conseqüência de sua imprevidência; à medida que adquire conhecimentos e experiência, pode preveni-los se souber procurar suas causas. Porém, entre os males que afligem a humanidade, há os de caráter geral, que estão nos decretos da Providência, e dos quais cada indivíduo sente mais ou menos a repercussão. Sobre esses males, o homem pode apenas se resignar à vontade de Deus; e ainda esses males são, muitas vezes, agravados pela sua negligência.











domingo, 3 de janeiro de 2010

Partido Pirata

A Ascenção do Partido Pirata na Suécia


Por Hilmar Schmundt
Der Spiegel
O sucesso do Partido Pirata da Suécia talvez seja uma das maiores surpresas das eleições parlamentares europeias. À medida que cada vez mais eleitores da classe média declaram sua solidariedade a esses piratas dos tempos modernos, será que os partidos tradicionais também adotarão as demandas por uma internet livre?

"Ei Christian!", chamou um passante, enquanto se aproximava de Christian Engstrom para apertar sua mão com entusiasmo. Ultimamente, isso vem acontecendo bastante com o líder do Partido Pirata, que é regularmente abordado por estranhos em Estocolmo, ansiosos para cumprimentá-lo por ter sido eleito para o Parlamento Europeu.

Engstrom não se parece exatamente com um pirata. Um homem afável de cinquenta e poucos anos, com um topete branco divertido na testa, que encontramos mastigando um pedaço de torta quente de mirtilo, sentado num café nas ruas da capital sueca.

O futuro membro do Parlamento Europeu (MEP) é um dos maiores cientistas de computação do país. Até os pais dele eram programadores, e o próprio Engstrom desenvolveu um software para escritórios de patentes. Mas isso foi antes de ele mudar de lado.

Sua plataforma de campanha poderia caber no espaço do descanso de copo à sua frente: abolir as patentes, restringir o período de validade dos direitos autorais para poucos anos e proteger a privacidade de informações dos cidadãos. Apesar da pequena amplitude de sua mensagem, os efeitos foram impressionantes. Nas eleições europeias, o Partido Pirata conquistou 7,1% dos votos da Suécia. Ele é apoiado principalmente por homens com menos de 30 anos, e é muito mais popular do que os partidos tradicionais da Suécia entre as crianças em idade escolar.

Muitos países europeus têm partidos irmãos que também estão lutando por uma internet livre. O Partido Pirata conseguiu 0,9% dos votos na Alemanha e atraiu impressionantes 5,1% dos votos num distrito de Berlim.

"O nome Partido Pirata parece bobagem a princípio", diz Engstrom. "Mas tem um significado para todo mundo", principalmente na terra dos vikings. O partido deve muito de sua popularidade a seus oponentes. Em abril, a filiação triplicou de repente quando um tribunal condenou os operadores do site sueco de troca de dados thepiratebay.org a um ano de prisão e ordenou que eles pagassem por prejuízos.

Voto de protesto de "jovens enraivecidos"?
Será que os mais de 200 mil eleitores do Partido Pirata são criminosos? "É claro que não, mas foi um voto de protesto por parte dos 'jovens enfurecidos'", diz Henrik Ponten, do Serviço Antipirataria, um grupo que faz lobby pela indústria cinematográfica.

Ponten, que usa um corte de cabelo curto, estilo militar, é o homem que os piratas nórdicos adoram odiar. "Os extremistas de direita foram muito mal nessas eleições", diz ele. "Muitos jovens enraivecidos deixaram de votar neles para votar nos Piratas".

Ponten se esconde atrás de uma porta de segurança espelhada em seu escritório, no norte de Estocolmo. Ele não fala para câmeras e também não se permite ser gravado. Um poster do filme "Exterminador do Futuro 3" está pendurado na parede do lado de fora de seu escritório. Ponten faz parte do mito da fundação do Partido Pirata tanto quanto Darth Vader faz parte de Star Wars. Disputas acirradas na internet dividiram o país desde que o Serviço Antipirataria foi fundado em 2001.

Ironicamente, a Suécia liberal decretou leis duras de fiscalização para censurar sites e permitir que autoridades do governo pudessem ler e-mails privados.

Em protesto, ativistas pelos direitos humanos criaram o fórum de discussão Serviço Pirata, em 2003. Depois, veio a fundação do Pirate Bay, um site comercial de troca de arquivos, que hoje opera independentemente. Por fim, o Partido Pirata foi fundado há três anos, servindo esssencialmente como braço político do movimento de resistência, mas também independente dos outros.

"O que as três organizações têm em comum é que transformamos a palavra 'pirataria', que normalmente teria conotações negativas, num conceito positivo, assim como os homossexuais nos Estados Unidos fizeram com a palavra 'queer'", diz Engstrom.

"Os piratas descrevem a si mesmos como vítimas, mas na verdade eles são os criminosos que prejudicam a indústria cinematográfica", argumenta Ponten, que diz que já recebeu até ameaças de morte via mensagens de texto. "Infelizmente, muitos políticos não sabem muito sobre a internet e são facilmente influenciados por grupos lobistas."

Nesse sentido, pelo menos, ele e seus oponentes têm a mesma visão. "O problema são os políticos offline que não tem a mínima noção", diz o fundador do Partido Pirata Rick Falkvinge. "É por isso que decidimos evitar os políticos e abordar os eleitores diretamente."

Novo tipo de classe média
O Aeroporto de Estocolmo é onde funciona hoje seu escritório móvel de campanha, enquanto ele se senta com um copo de cerveja e o notebook à sua frente. O partido não tem escritório próprio.

Falkvinge, de quase 40 anos, já ganhou a vida como especialista em software e trabalhou para a Microsoft, entre outras companhias. Ele fundou sua primeira empresa aos 16 anos. Hoje, está a caminho para uma conferência no Canadá. Ele planeja concorrer ao parlamento sueco no ano que vem.

"Os fundadores do Partido Pirata defendem um novo tipo de classe média com mentalidade empreendedora", diz Anders Rydell, que acabou de publicar um livro sobre os piratas da internet. "Desde o governo liberal-conservador do (ex-primeiro-ministro) Carl Bildt no começo dos anos 90, a Suécia tem sido pioneira em relação à internet", diz Rydell. Isso mudou a sociedade sueca, acrescenta. "Mais e mais membros das classes educadas, escritores e jornais estão declarando sua solidariedade aos piratas."

O político da internet Engstrom espera que a vitória nessa eleição seja apenas o começo. "Desde a eleição, recebemos ofertas para colaborar com os principais partidos". Isso faz parte do plano, e explica a escassa plataforma de campanha do partido.

Mas e se os partidos estabelecidos simplesmente plagiarem suas demandas? "Somos piratas", diz Engstrom. "Adoramos copiar! Se isso acontecer, então teremos atingido nosso objetivo e poderemos abolir a nós mesmos."

Partido Pirata no mundo
O Partido Pirata possui grupos já estruturados atuando em cerca de 23 países e uma rede de ativista que se expande gradualmente a outros países.

sábado, 28 de novembro de 2009

O Parlamento Sueco



Parlamento sueco dá exemplo de transparência
A casa preserva a tradição de liberdade absoluta de informação. Qualquer cidadão tem acesso aos gastos dos parlamentares, até seus extratos bancários estão disponíveis na internet.

Cercado de água: assim é o parlamento sueco, localizado em uma das muitas ilhas que formam a cidade de Estocolmo. Mas essa geografia não impede os caminhos da democracia.

Desde 1766, a casa preserva a tradição de liberdade absoluta de informação. Qualquer cidadão tem acesso aos gastos dos parlamentares. A chefe do controle acredita que uma pessoa pública não tem o direito de esconder nada dos eleitores. Por isso, até os extratos bancários dos parlamentares estão disponíveis na internet.

A transparência não tira o mérito da imprensa. “Temos outros tipos de escândalos”, ele explica. “Por exemplo, o caso de uma deputada que pregava o uso de transporte público e de bicicleta para proteger o meio-ambiente e que, no entanto, usava mais táxi do que qualquer cidadão comum. O escândalo impediu a reeleição dela”.

Cada um dos 349 deputados suecos possui um gabinete para trabalhar dentro do parlamento, mas eles não têm seus próprios funcionários. Todos os assessores parlamentares trabalham para os partidos. E os deputados contam com o apoio desses assessores, no máximo, 30 por legenda. E o mais importante: não há um caso sequer de nepotismo. Apesar de não existir uma lei que proíba, nenhum deputado sueco emprega parentes no parlamento.

“Não preciso mais do que isso para trabalhar” diz o parlamentar, orgulhoso de seu gabinete de apenas 22 metros quadrados. Ele conta que recebe um salário equivalente a R$ 12 mil por mês. Além disso, despesas comprovadamente ligadas ao exercício do mandato são reembolsadas, inclusive passagens de trem ou avião para os municípios de origem. Mas só os parlamentares têm esse direito, parentes, não.

Os deputados do interior, inclusive os que são ministros de Estado, moram em apartamentos funcionais com 50 metros quadrados. A própria sala serve de quarto. “A gente está aqui para trabalhar”, explica o inquilino. “A kitinete é apenas para dormir de segunda à sexta. Os fins de semana passamos com a família”. Segundo ele, quem quiser trazer os parentes, deve pagar pela hospedagem. Vida dura essa de deputado? Na Suécia, ninguém reclama.

Os paises da escandinavia são os raros exemplos mundiais no qual a democracia evoluiu para uma "aristocracia social". Atualmente esses paises são o ápice da civilização.
Jamais seremos como eles, porque a intelligentsia brasileira se ufana pelo oba-oba, pelo esquindô-esquindô e pelo balacobaco.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Orania - O Quilombo Loiro


Ação Afirmativa
A meio caminho entre Johannesburgo e a Cidade do Cabo, a 210 km de Bloemfontein, um experimento social gera admiração e polêmica. Bem-vindo a Orania, uma comunidade de cerca de mil habitantes descendentes de colonizadores holandeses que chegaram à Africa do Sul no século 17, os bôeres. Suas ruas calmas, casinhas com terraço, plantações de trigo e crianças loirinhas a brincar dão o ar de uma utopia branca em pleno continente negro. O Rio Orange, ali perto, é ótimo para canoagem e as redondezas montanhosas convidam para o trekking.

Orania, fundado em 1991, tem sua bandeira, sua moeda, o ora e seu status de região autônoma garantidos pela Constituição sul-africana."Volta do Apartheid", "Racismo", atacam os críticos, lembrando que ali só podem morar bôeres (nenhum negro portanto). "Preservação cultural", respondem seus milhares de defensores, muitos na Europa contribuindo financeiramente com a comunidade. E não são apenas brancos os que torcem por Orania. O próprio presidente sul-africano, Jacob Zuma, um zulu, já elogiou o modelo economicamente sustentável do local.