domingo, 3 de outubro de 2010

O Secularismo Europeu

A Europa que construiu o cristianismo e serviu de plataforma para a expansão global da fé cristã, é hoje, paradoxalmente, um continente de igrejas vazias. Nas imponentes catedrais há mais turistas admirados com a arquitetura do que fervor religioso.




Apenas dois de cada dez católicos comparecem com regularidade à missa na Europa Ocidental. No Leste Europeu são 14%. Nos anos 60, quando Joseph Ratzinger, atual Bento XVI, chegou a Roma para assessorar os cardeais nas discussões do Concílio Vaticano II, oito de cada dez crianças nascidas em lares católicos na França recebiam o batismo. Hoje, só uma em duas. A debandada do rebanho é sentida com intensidade até nos países cuja maioria católica é avassaladora, como a Espanha (90% dos jovens espanhóis jamais vão à missa) e a Itália (só um em cada quatro católicos vai à igreja). Na Alemanha, terra natal do novo pontífice, o comparecimento à missa é de reles 15%.

Em vários países faltam padres por causa da queda no número de seminaristas. Em 2004, menos de noventa padres foram ordenados na França. Na Alemanha, há 9.000 sacerdotes para 13.000 paróquias. De exportadora de missionários com a palavra de Cristo, a Europa agora recruta padres na África e na Ásia. Só na Alemanha há 1 400 padres africanos e asiáticos atuando em suas paróquias. Os teólogos debatem há anos as causas da debandada do rebanho europeu – mas não há, por enquanto, uma resposta que sirva a todas as perguntas. As pesquisas demonstram que não se trata apenas de um surto de ateísmo. Também não é certo falar em crise de espiritualidade. Apesar de escassas nos bancos das igrejas, multidões se lançam em peregrinações a Santiago de Compostela, na Espanha, ao Santuário de Fátima, em Portugal, ou vão a Roma com a esperança de ver o papa. "Na Europa, o interesse na Igreja Católica diminuiu porque, cada vez mais, as pessoas encaram a fé religiosa como algo individual e privado, que dispensa a intermediação de uma instituição", disse a VEJA o teólogo alemão Christian Schmidtmann. Segundo ele, em lugar de aceitar como verdadeira uma única linhagem religiosa, os europeus atuais constroem verdadeiras "religiões de retalhos", costuradas apenas com os elementos que lhes interessam, descartando o resto.

O fenômeno é claramente europeu e se deve, em parte, ao fato de a Europa ser o berço do racionalismo. Com o avanço da ciência e do acesso à educação para uma parcela maior da população, as pessoas passaram a encontrar na razão respostas para questões que antes só a religião podia oferecer. Na África, o número de católicos triplicou nos últimos 25 anos. Na Ásia, quase dobrou. Na América Latina, a religião continua confortavelmente majoritária, apesar do assédio pentecostal.

A idéia defendida por teólogos liberais é a de que o rigor do papa em temas morais – como o veto ao uso de preservativos, ao aborto, ao sacerdócio feminino e ao casamento homossexual – estava na contramão da vida moderna e, com isso, afugentava os fiéis.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Implosão Demográfica na Alemanha

Apesar de todas as medidas do governo de incentivo aos nascimentos, a população da Alemanha continua encolhendo. De acordo com o Departamento Federal de Estatistica, no ano passado houve uma queda de 3,6% no número de nascimentos, passando para 651 mil. Como o número de óbitos foi 190 mil maior do que o número de nascimentos , a população alemã encolheu de novo, passando para menos de 82 milhões.
As previsões para o futuro da maior economia da Europa são sombrias. No ano de 2050, a população da Alemanha deverá ser de apenas 66 milhões. Já na França, o segundo maior pais da União Européia, onde a taxa de natalidade é quase duas vezes mais alta, a população atual, que é de 64 milhões de habitantes, deverá subir para 66 milhões.
A redução do número de nascimentos surpreendeu os politicos. Há poucos anos, o governo lançou um pacote de incentivo às familias. Além do “salário criança”, de 120 euros mensais por cada criança, até atingir a maioridade, o governo lançou o “salário dos pais”, com o pagamento de 67% do salário para a mãe que fique em casa cuidando do bebê no seu primeiro ano de vida. Se é o pai que fica em casa, o pagamento é prolongado por mais três meses. Em 2013, entrará em vigor a garantia do governo de vaga no jardim da infância para todas as crianças entre três e seis anos de idade.
Ao contrário dos cálculos do governo, porém, de incentivar sobretudo mulheres acadêmicas a ter mais filhos, foram atrás da ajuda do governo os casais que já queriam ter filhos mesmo sem a ajuda.
Há várias explicações para a falta de interesse das mulheres alemãs em ter filhos. A principal é a falta de infraestrutura. Apenas no leste (antiga Alemanha Oriental), há creches e escolas de dois turnos. No ocidente, apenas uma minoria das crianças têm acesso ao jardim da infância, não há creches suficientes e a escola funciona apenas durante a manhã.
De acordo com os especialistas, a população vai encolher mais nas áreas rurais. Já hoje há o problema das aldeias que estão ficando abandonadas. Mas os analistas vêem com preocupação também a falta de mão de obra. A população economicamente ativa diminuirá em 30% nos próximos anos.
Os pesquisadores afirmam que o único meio de evitar esse cenário sombrio é o incentivo da imigração.

Quanto mais religioso, mais pobre o país

Quanto mais religioso, mais pobre tende a ser um país, diz pesquisa
Hélio Schwartsman

Quanto mais religiosos são os habitantes de um país, mais pobre ele tende a ser. Essa é a conclusão de uma pesquisa Gallup feita em 114 nações e divulgada no último dia 31 que mostra uma correlação forte entre o grau de religiosidade da população e a renda "per capita".

Correlação, vale lembrar, é um conceito traiçoeiro. Quando duas variáveis estão correlacionadas, tanto é possível que qualquer uma delas seja a causa da outra como também que ambas sejam efeitos de outros fatores.

Desde o século 19, a sociologia tem preferido apostar na tese de que a pobreza facilita a expansão da religião. "Em geral, as religiões ajudam seus adeptos a lidar com a pobreza, explicam e justificam sua posição social, oferecem esperança, satisfação emocional e soluções mágicas para enfrentar problemas imediatos do cotidiano", diz Ricardo Mariano, da PUC-RS.

"As religiões de salvação prometem ainda compensações para os sofrimentos e insuficiências desta vida no outro mundo", acrescenta.

O sociólogo, porém, lembra que há outros fatores: "A restrição à liberdade religiosa, ideologias secularistas e o ateísmo estatal dos países socialistas contribuíram para a baixa importância que sua população atribui à religião, como ocorre na Estônia, campeã nesta matéria, e na própria Rússia".

Já na Europa Ocidental, diz Mariano, "modernização, laicização do Estado e relativismo cultural erodiram bastante a religiosidade".

A grande exceção à regra são os EUA. Com uma das maiores rendas "per capita" do planeta, 65% dos norte-americanos atribuem importância à religião em sua vida diária. Tal índice é bem superior à média dos países mais ricos, que é de 47%.

Sem descartar um papel para as explicações sociológicas mais tradicionais, que chama de "fator ópio do povo", Daniel Sottomaior, presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) aventa algumas hipóteses na direção contrária, isto é, de que a religião é causa da pobreza. "Ela promove o fatalismo e o deus-dará", diz.

Em certos lugares, notadamente alguns países islâmicos, ela desestimula a educação e impede a adoção do pensamento científico.

Além disso, afirma Sottomaior, "a religião não apenas não gera valor como sequestra bens, dinheiro e mentes que deixam de ser empregados em atividades econômicas e de desenvolvimento".

RELIGIOSOS

Para religiosos ouvidos pela Folha, é a riqueza que pode reduzir o pendor das pessoas à religiosidade.

Segundo o padre jesuíta Eduardo Henriques, "a abertura a Deus é inversamente proporcional à segurança oferecida pela estabilidade econômico-financeira, com exceções, é claro. Espiritualmente falando, os pobres tornam-se sinais mais eloquentes de que ninguém, pobre ou rico, basta a si mesmo. Por isso Jesus chamou os pobres de bem-aventurados".

Já para o pastor batista Adriano Trajano, a pesquisa mostra que quanto maior for o estado de pobreza e pouco desenvolvimento econômico no país, "maior será a busca por subterfúgios sobrenaturais, pois a religião tem esse poder de transportar o necessitado a um mundo de cordas divinas". "Que a religião desempenha um papel importante nas sociedades, não há dúvida, resta saber até que ponto esse papel favorece a vida?", pergunta.

O teólogo adventista Marcos Noleto é mais radical: "Há uma incompatibilidade da fé prática com a riqueza. Assim como dois corpos não podem ocupar um mesmo lugar no espaço, na mente do homem não há lugar para duas afeições totais. Veja que Deus escolheu um carpinteiro e não um banqueiro para ser o pai de Jesus".

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domingo, 19 de setembro de 2010

Paulicéia Desvairada


Por uma coincidência extraordinária, denúncias pipocam a toda hora nestes últimos dias de campanha eleitoral. Faltando duas semanas para a eleição do sucessor ou, pelo que parece, da sucessora de Lula, falar delas se tornou uma verdadeira obsessão para nossa grande imprensa.

Mas na realidade, o verdadeiro escândalo é ver como os cartéis de mídia foram aos poucos aparelhados pelo PSDB. É um perigo, um candidato como o Serra que não é nunca questionado ou criticado pela imprensa e ainda usa a imprensa para repetir a sua pauta e fazer denuncismo contra adversários. Aconteceu o mesmo na Alemanha Nazista com Goebbels. A imprensa enlouqueceu. Eu nunca vi em todos os meus 37 anos, tanto tendenciosismo e falta de escrúpulos.

Como se não bastassem, as denúncias ainda são vazias, declaratórias, sem provas e obtidas de fontes mais que duvidosas. Por outro lado, essa disposição para denunciar não atinge o universo da imprensa. Brasil afora, jornais e revistas regionais e estaduais mostram-se menos dispostos a fazer coro com os “grandes”. O mesmo vale na mídia eletrônica, onde o tom escandaloso não é o padrão de todas. Fora do Brasil, o tom "denuncista" em épocas de eleição foi até mesmo criticado por alguns correspondentes de jornais europeus.

Mas só a velhinha de Taubaté acredita que a coincidência de tantos “escândalos” é obra do acaso. A onda nasceu em tal momento que é impossível não desconfiar que exista intencionalidade por trás dela.

Essênios - A origem da moral cristã

Os fundamentos da Ética ("como se deve melhor agir perante o proximo") nada tem de religiosos, sendo essencialmente laicos e tem origem entre os filósofos gregos Sócrates, Platão e Aristóteles, portanto 300 anos antes de Cristo.

Há inúmeros indícios de que filosofias neoplatonicas inspiraram a seita do essênios. Os essenios (nazarenos) eram uma seita de pacifistas, vegetarianos, que não possuiam propriedades privadas, todas as posses eram comunais; pregavam a justiça e a compaixão; e possuiam a crença da imortalidade das almas.

Muitos bibliófilos especulam que Jesus Cristo teria vivido entre os essênios durante muitos anos, tendo absorvido seus ensinamentos que finalmente deram origem à moral cristã. Portanto é grande a possibilidade da moral cristã ter sido indiretamente influenciada pela Ética laica dos gregos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sigilo para quê ?



Certos grupos de mídia tem ultimamente praticado sensacionalismo acerca de supostas quebras de sigilo de políticos ligados ao PSDB. Muitas vezes negligenciando sua função de informar com qualidade, postando matérias absolutamente descontextualizadas e claramente patrocinando ilações de interesses partidários e eleitoreiros.

O candidato do PSDB veio a publico reclamar aos prantos que a sua filha foi usada pelo partido governista na campanha eleitoral, quando na realidade é o próprio pai quem esta expondo a filha, revelando uma falta de escrúpulos inimaginável.

Como se não bastasse tanto cinismo, os jornais que o apoiam querem fazer crer que qualquer consulta ao sistema da Receita caracteriza quebra de sigilo; e pior, que essa quebra de sigilo foi motivada por interesses eleitorais. A bem da verdade, o sistema de informação da Receita nunca foi um modelo de rigor. CDs com declarações de contribuintes podem ser comprados em camelôs nas praças por R$ 200,00. Agora a oposição se aproveita dessa conhecida fragilidade da Receita para alicerçar sua fracassada campanha eleitoral.

E as consultas aos sistemas de contribuintes petistas ? Não existem ? Ou não interessa à mídia pesquisar e divulgar ? E se o sigilo foi realmente quebrado, o que fizeram com ele ? Nada ? O que tanto se quer esconder ? As declarações de impostos de políticos deveriam mesmo ser sigilosas ?

Na Europa, vários países quebram automaticamente o sigilo fiscal de políticos com a maior normalidade. Na Suécia por exemplo, desde 1766, a casa preserva a tradição de liberdade absoluta de informação. Qualquer cidadão tem acesso aos gastos dos parlamentares. Os suecos acreditam que uma pessoa pública não tem o direito de esconder nada dos eleitores. Por isso, além da declaração de impostos, até os extratos bancários dos parlamentares estão disponíveis na internet.
Os Consulados de países como os Estados Unidos, condicionam a apresentação das declarações fiscais dos brasileiros para concessão de visto. Ora isso é quebra de sigilo, e ninguém se importa.

O sigilo fiscal só é sagrado para aqueles que tem coisas escusas. Sigilo Fiscal é nada mais do que um enorme véu para corruptos.
Entende-se todo o panico dos ricos e poderosos. Como explicar o enriquecimento ilícito ? Como justificar depois remessas para paraísos fiscais ?