domingo, 2 de junho de 2013

Cernunnos



O Deus Cornífero é o Deus fálico da fertilidade. Geralmente é representado como um homem de barba com casco e chifres de bode. Ele é o guardião das entradas e do círculo mágico que é traçado para o ritual começar. É o Deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas. É o Deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.
Ele nasce da Deusa, como seu complemento e carrega os atributos da fertilidade, alegria, coragem e otimismo. Ele é a força do Sol e da mesma forma, nasce e morre todos os dias, ensinando aos homens os segredos da morte e do renascimento.
Segundo os Mitos pagãos o Deus nasceu da Deusa, cresceu e se apaixonou por Ela. Ao fazerem amor a Deusa engravida e quando chega o inverno o Deus Cornífero morre e renasce quando a Deusa dá a luz. Este Mito contém em si os próprios ciclos da natureza onde no Verão o Deus é tido como forte e vigoroso, no outono ele envelhece, morre no inverno e renasce novamente na primavera.
 
Para a maioria pode aparentar meio incestuoso, ao afirmar-se que o Cornífero seja filho e consorte da Deusa, mas isto era extremamente comum aos povos primitivos onde os indivíduos se casavam entre os próprios familiares para conservar a pureza da raça. Além disso o simbolismo do Mito deve ser observado, pois todas as coisas vieram do ventre da Grande Mãe inclusive o próprio Deus e por isso para Ela, Ele deve voltar.
O culto aos Deus Cornífero surgiu entre os povos que dependiam da caça, por isso Ele sempre foi considerado o Deus dos animais e da fertilidade, e ornado com chifres, pois os chifres sempre representaram a fertilidade, vitalidade e a ligação com as energias do Cosmos. Além disso a Bruxaria surgiu entre os povos da Europa, onde os cervos se procriam com extremada abundância, por isso eram frequentemente caçados, pois eram uma das principais fontes de alimentação. Com a crescimento do Cristianismo e com a intenção do Clero em derrubar a Bruxaria, a figura atribuída ao Deus Cornífero acabou por personificar o Diabo e na atualidade resgatar o status deste importante Deus torna-se bastante difícil. O Deus Cornífero NUNCA simbolizou o mal nem qualquer ritual associado ao mal.
 
O Deus Cornífero representa a luz e a escuridão, a imortalidade e a morte, a interrupção a continuidade. Cernunnos, como também é chamado, simboliza a força da vida e da morte. É o amante e filho da Deusa, o senhor dos cães selvagens e dos animais. É ele que desperta-nos para a vida depois da morte. Representa o Sol, eternamente em busca da Lua. Seus chifres na realidade representam as meias-luas, a honraria e a vitalidade e não uma ligação com o Diabo. Ainda hoje existe muita confusão sobre a Bruxaria e isto deve-se à Igreja Medieval que transformou os Bruxos antigos em Feiticeiros do Demônio, por conveniência.
O culto à Deusa Mãe e aos Deus Cornífero é pré-cristão, surgiu milênios antes do catolicismo e do conceito de demónio, o qual jamais foi adorado, invocado, cultuado e reverenciado nas práticas pagãs ou como deidade da Bruxaria.
O culto à Deusa-Mãe remonta os homens das cavernas e para entendermos o porque de uma divindade com chifres foi reverenciada pelos Bruxos de antigamente e é reverenciada até hoje pelos Bruxos modernos temos que pensar como nossos antepassados.
Os chifres sempre foram tidos como símbolo de honra e respeito entre os povos do neolítico. Os chifres exprimem a força e a agressividade do touro, do cervo, do búfalo e de todos animais portadores dos mesmos. Entre os povos do período glacial uma divindade era representada com chifres para demonstrar claramente o poder da divindade que o possuía.
Quando o homem saía em busca de caça, ao regressar à sua tribo colocava os chifres do animal capturado sobre a sua cabeça, com a finalidade de demonstrar a todos da comunidade que ele vencera os obstáculos. Graças a ele todo clã seria nutrido, ele era o "Rei". O capacete com chifres acabou por se tornar numa coroa real estilizada.
Muitos Deuses antigos como Baco, Pã, Dionísio e Quíron foram representados com chifres. Até mesmo Moisés foi homenageado com chifres pelos seus seguidores, em sinal de respeito aos seus feitos e favores divinos.
Os chifres sempre foram representações da luz, sabedoria e conhecimento entre os povos antigos. Portanto como podemos perceber, os chifres desde tempos imemoráveis foram considerados símbolos de realeza, divindade, fartura e não símbolo do mal como muitos associaram e ainda associam. O Deus Cornífero é então o mais alto símbolo de realeza, prosperidade, divindade, luz sabedoria e fartura. É o poder que fertiliza todas as coisas existentes na terra.
A Grande Mãe e o Deus Cornífero juntos, representam as forças vitais do Universo.
 

PRINCÍPIO MASCULINO DO DEUS

Da mesma forma que toda luz nasce da escuridão, o Deus, símbolo solar da energia masculina, nasceu da Deusa, sendo seu complemento, e trazendo em si os atributos da coragem, pensamento lógico, fertilidade, saúde e alegria. Da mesma forma que o sol nasce e se põe, todos os dias, o Deus nos mostra os mistérios de Morte e do Renascimento. Na Wicca, o Deus nasce da Grande Mãe, cresce, se torna adulto, apaixona-se pela Deusa Virgem, eles fazem amor, a Deusa fica grávida, o Deus morre no inverno e renasce novamente, fechando o ciclo do renascimento, que coincide com os ciclos da Natureza, e mostra os ciclos da nossa própria vida. Para alguns, pode parecer meio incestuoso que o Deus seja filho e amante da Deusa, mas é preciso perceber O verdadeiro simbolismo do mito, pois do útero da Deusa todas as coisas vieram, e, para ele, tudo retornará.
E, se pensarmos bem, as mulheres sempre foram mães de todos os homens, pelo seu poder de promover o renascimento espiritual do ser amado e de toda a Humanidade. O sentido profundo do simbolismo na Bruxaria só pode ser verdadeiramente entendido através da meditação e do contato intuitivo com a energia dos Deuses. O Deus tem sido reverenciado há Eras.
 
Ele não é a deidade rígida, o Todo-Poderoso do cristianismo ou do judaísmo, tão pouco um simples consorte da Deusa. Deus ou Deusa, eles são iguais, unidos. Vemos o deus no Sol, brilhando sobre nossas cabeças durante o dia, nascendo e pondo-se no ciclo infinito que governa nossas vidas. Sem o Sol, não poderíamos existir; portanto, ele tem sido cultuado como a fonte de toda a vida, o calor que rompe as sementes adormecidas, trazendo-as para a vida, e instiga o verdejar da terra após a fria neve do inverno.
O Deus é também gentil com os animais silvestres. Na forma do Deus Cornudo, ele é por vezes representado por chifres na cabeça, que simbolizam sua conexão com tais bestas. Em tempos mais antigos, acreditava-se que a caça era uma das atividades regidas pelo Deus, enquanto a domesticação dos animais era vista como voltada à Deusa. Os domínios do deus incluíam as florestas intocadas pelas mãos humanas, os desertos escaldantes e as altas montanhas.
As estrelas, por serem na verdade sóis distantes, são por vezes associadas a seu domínio. O ciclo anual do verdejar, amadurecer e da colheita vem há muito sendo associado ao Sol, daí os festivais Solares da Europa, os quais são ainda observados na Wicca.
O Deus é a colheita plenamente madura, o vinho inebriante extraído das uvas, o grão dourado que balança num campo, as maçãs vicejantes que pendem de galhos verdejantes nas tardes de outono. Em conjunto com a Deusa, também ele celebra e rege o sexo. A Wicca não evita o sexo ou fala sobre ele por palavras sussurradas.
 
É uma parte da natureza e assim é aceite. Por trazer prazer, desviar nossa consciência do mundo quotidiano e perpetuar nossa espécie, é considerado um ato sagrado. O Deus nos imbui vigorosamente no desejo que assegura o futuro biológico de nossa espécie.
Símbolos normalmente utilizados para representar ou cultuar o Deus incluem a espada, chifres, a lança, a vela, ouro, bronze, diamante, a foice, a flecha, o bastão magico, o tridente, facas e outros.
Criaturas a ele sagradas incluem o touro, o cão, a cobra, o peixe, o dragão, o lobo, o javali, a águia, o falcão, o tubarão, os lagartos e muitos mais. Desde sempre, o Deus é o Pai do Céu, e a Deusa a Mãe da Terra.
O Deus é o céu, da chuva e do relâmpago, que desce sobre a Deusa e une-se a ela, espalhando as sementes sobre a terra, celebrando a fertilidade da Deusa.
 
Miguel Cernunnos - Portugal

Freak Show

Freak Show: as novas aberrações
O jovem direitista: é um espanto. Em vez de contrariar o conservadorismo dos pais, ele concorda com tudo com o que eles pregam. “Sim, mamãe”

 
Em 1932, o cineasta Tod Browning (1880-1962) causou escândalo em Hollywood ao lançar o filme Freaks, hoje um clássico. Para criticar um costume horrível da época, de exibir pessoas com deformidades em shows e circos, Browning escolheu um elenco de atores com vários problemas na vida real. Alguns tinham microcefalia, outro não tinha metade do corpo, um terceiro era um tronco, sem pés nem braços. O protagonista é anão. Eles se rebelam e acabam realizando uma vingança contra os seres humanos “normais” que os escravizavam. Hollywood não entendeu, a Inglaterra baniu o filme durante 30 anos e a brilhante carreira de Browning como diretor de filmes de terror como Drácula (1931) já era.

Felizmente os tempos de “feira de horrores” ficaram no passado. O que era considerado “aberração” já não é. Se houvesse um show de horrores hoje em dia não seria para rir de alguém com uma deficiência física ou mental, embora alguns pseudohumoristas brasileiros talvez desejassem, até porque atualmente as aberrações são outras. Nada a ver com anomalias congênitas, mas com deformidades de pensamento. Prodígios da natureza que a gente nunca podia imaginar que pudessem existir andam por aí assombrando o mundo.

Senhoras e senhores, alguns destes freaks do mundo moderno:

– O jovem direitista: é um espanto. Em vez do rapaz e moça que faziam de tudo para contrariar o conservadorismo dos pais, são jovens que concordam em tudo com o que eles pregam. “Sim, mamãe”, repete o jovem direitista bem nascido. A não ser que os pais sejam moderninhos demais, aí eles preferem se mirar nos avós fãs da ditadura. Em sua visão, os governos militares foram uma época de prosperidade à qual o Brasil deve muito, e o desrespeito às liberdades individuais e aos direitos humanos, apenas um detalhe. Já os guerrilheiros que foram presos, torturados e que deram a vida para lutar contra a ditadura são terroristas sanguinários. Os bizarros jovens de direita são radicalmente contra a maconha, “coisa de vagabundo”. Na faculdade, basta sentir o cheiro de um baseado que eles deduram para a polícia que circula pelo campus –sim, eles se mobilizaram para conseguir que o campus, antes um espaço de livre expressão, passasse a ser policiado. Os jovens direitistas estudam, é claro, Direito. E adoram ir à missa.

– A mulher machista: é assombrosa. Trata-se de uma mulher, geralmente jovem, que cospe em todas as realizações da liberação feminina. Acha, aliás, que não deve nada ao feminismo, pelo contrário. Defende que o feminismo é a razão de toda a “infelicidade” e “frustração” das mulheres de hoje. Por causa do feminismo, brada, se uma mulher optar por ser dona-de-casa será execrada! É muito triste, diz a mulher machista, não poder abdicar da profissão para cuidar da casa e dos filhos, pois se sentiriam constrangidas pelos olhares de reprovação das feministas, estas desalmadas, péssimas mães que não sabem nem fritar um ovo. Elas odeiam que uma mulher esteja na presidência, acham um desserviço, já que todo mundo sabe que os homens são superiores nestas tarefas. Lugar de mulher é sendo primeira-dama. Muito mais elegante, inclusive, tipo Jackie Kennedy. Mesmo porque todo mundo sabe que as feministas são todas horrorosas e nem se depilam, não é mesmo? Qualquer hora as mulheres machistas sairão em marcha pela aprovação da lei José da Penha, para reivindicar o direito de apanhar do marido.

– O palhaço sem graça: é de chorar. Eles sobem no picadeiro para supostamente serem engraçados, mas não conseguem causar nenhuma risada nem fazendo cosquinhas. A reação da platéia ao que eles falam beira a depressão. Quando o palhaço sem graça faz uma piada, tem gente que sente até vontade de vomitar. O formato favorito deles é o stand-up comedy, uma fórmula norte-americana de fazer humor do qual copiaram o nome, não a criatividade. Mas há também palhaços de circo engomadinhos que se apresentam na tevê com o único objetivo de vender produtos para as crianças, com suas musiquinhas chatas e repetitivas. Ah, gente, fazer rir é tão século 20…

– O roqueiro a favor do status quo: é de arrepiar os cabelos. Acabou-se o tempo do roqueiro que criticava a burguesia e o sistema. Hoje a onda é falar bem de quem tem grana, um “vencedor”, e elogiar a direita “progressista” –esta, sim, sabia o que era bom para o povo, este imbecil. O maior alvo do roqueiro reaça não é a estrutura social injusta ( “injusta por quê? para quem?”) ou as desigualdades, mas os esquerdistas, estes provocadores de ditaduras militares. Se fossem gravar músicas hoje em vez de escrever manifestos de direita, como preferem, os roqueiros escreveriam letras como “você é pobre porque não trabalhou, uou, uou”, “os milicos são gente mal-compreendida, di-da, di-da”, “saudades da ditadura, yeah, yeah, yeah”, “a favor do status quo quo quoooooo”. Não se espantem se qualquer dia começaram a gravar duetos com ídolos sertanejos em suas fazendas. O lado bom de terem surgido roqueiros assumidamente de direita é que não há mais lugar para os hipócritas que ganhavam dinheiro como rebeldes sem causa, com canções que nada tinham a ver com sua origem burguesa, às custas da rebeldia genuína alheia.
 
– O cristão odiento:
 
 

Venham, venham ver as aberrações! O espetáculo não tem hora para acabar.

Ravi Shankar

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Royalties - Bullying Federativo

 
Então já estão decidindo o que fazer com os royalties do Rio de Janeiro ? Para quem não sabe os royalties do petroleo do Rio são uma compensação a constituição de 1988, na qual o José Serra, o politico mais nefasto que já apareceu nesse país, negociou em troca da isenção do ICMS do petróleo na fonte. Isso significa que que o petróleo extraído no Rio é a única riqueza mineral que não gera ICMS ao estado produtor. Os royalties foram a compensação.

E agora, estados sem nenhum pudor e de olho gordo se reuniram num arrastão e resolveram tirar inclusive os royalties do Rio. Seria como se os gauchos exigissem royalties pelo ferro extraído em Minas. Um absurdo. E pouco importa aos outros estados se essa renda já esta incorporada as finanças do estado há décadas. Nem cogitam nenhum tipo de repercussão. Os fluminenses e cariocas que se danem. Não bastasse o Governo do Rio concordar em abdicar dos campos do pré-sal a serem explorados, a cobiça alheia é tamanha que querem tirar inclusive os royalties dos campos que já produzem a anos.


 Há antes de tudo uma questão de falta de caráter ai.. concordam ?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Aparecida - A santa que não apareceu


O culto de Nossa Senhora Aparecida foi instituído oficialmente pela Igreja Católica em 1904. Na ocasião o Núncio Apostólico no país procurava um culto para representar um padroeiro nacional para o Brasil. A escolha recaiu sobre controverso fato ocorrido em 1743, no qual um grupo de três pescadores teria encontrado uma estátua de terracota escura (argila) sem cabeça representando Nossa Senhora da Conceição no fundo do rio Paraiba do Sul na altura de Guaratinguetá (SP).
 
Ao contrário do que imaginam muitos fiéis, nunca houve uma "aparição" de nossa senhora e sim apenas o achado de uma estátua de barro quebrada. O motivo pelo qual a imagem se encontrava no fundo do rio Paraíba é que, durante o período colonial, as imagens sacras eram jogadas em rios ou enterradas quando quebradas. Também é controverso atribuir a figura da "santa" como sendo de raça negra, pelo simples fato de que a argila utilizada para sua moldagem era escura como era comum em muitas imagens de santos confeccionados na região de Santana do Parnaíba.
 
Apesar da inconsistência e fragilidade do "milagre" da estátua - os pescadores teriam pescado muitos peixes no dia que acharam a estátua - isso foi suficiente para que o Núncio Apostólico mistificasse a "santa" e a torna-se Padroeira do Brasil.

A santa padroeira do Brasil é portanto mais um exemplo acabado das manipulações e mistificaçôes da Igreja Católica no mundo. Uma santa encomendada..

sábado, 29 de setembro de 2012

Monteiro Lobato e a Ku Klux Klan


A censura ao livro Aventuras de Pedrinho é apenas a ponta do Iceberg do racismo do escritor Monteiro Lobato. Há muita gente interessada em salvar a reputação de um dos poucos escritores paulistas que rompeu as fronteiras do estado. Lobato era mais que racista, era um EUGENISTA. Declarou em carta a um amigo que usaria a Literatura para disseminar os princípios da Eugenia e estimular a sua prática. E seguiu para os Estados Unidos com a proposta de escrever sobre o tema, para ganhar grana alta - era ambicioso. Só que não se deu muito bem. Ninguém lá se interessou pela proposta dele, que voltou para o Brasil com o rabo entre as pernas. Aqui chegando lamentou a falta de uma Ku Klux Klan no Brasil. O que significa isto? Que tornou-se um prostituto da Literatura. Tem pessoas que dizem que por ser a Eugenia uma espécie de modus operandi político-científico predominante na época, era portanto natural essa inclinação dos intelectuais daquele tempo para tal prática criminosa, pois todos sabem que o princípio da Eugenia é a purificação da raça humana pela eliminação das etnias destoantes e dos seres humanos considerados "anormais" por problemas mentais e físicos. Mas considerar que todos os intelectuais da época avalizavam a Eugenia é um absurdo, pois, exemplificando, os Filósofos Humanistas anteriores a Lobato jamais apoiaram tal prática desumana. Este crime de Lobato - apoiar a Eugenia e contribuir para a sua expansão - é injustificável e, portanto, passível de REPARO no que concerne às suas consequências nas crianças de cor negra que hoje têm acesso à sua obra. O MEC está agindo de forma LEGAL, protegendo o Direito Constitucional dessas crianças. O Estado faz muito bem, pois, em cercar de todo cuidado o uso de sua obra pelas crianças. Obra com toques de racismo e eugenia. Portanto, de alto teor ofensivo à sensibilidade humana."
Professora Leila Brito (UFF)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Formas Alternativas de Relações Estáveis


Em busca de harmonia, alguns casais estão adotando arranjos conjugais que fogem à tradição. A experiência, está provado, tende a dar muito certo quando o estilo de relacionamento definido, a modalidade de moradia escolhida e a frequência dos encontros realmente expressam o gosto de cada um e os propósitos de ambos.

Eis uma situação: ambos residem no quinto andar; ele, no 51; ela, no 52. Eliminaram a parede que separava dois quartos e fizeram um aposento mais amplo, com dois banheiros. A leste, mora ela. A oeste, ele. A filha, uma jovem adulta, vive com a mãe. O filho adolescente, com o pai. O marido assina um jornal; a mulher, outro. Ele tem uma faxineira, que comparece duas vezes por semana. Ela tem uma empregada fixa. Cada um faz suas compras e gerencia a casa em consonância com seus hábitos pessoais. Cada um paga as próprias contas e ambos constroem um patrimônio comum. Por sorteio, definiram que a empregada dela limparia o quarto do casal. Há ocasiões em que ele a convida para provar o prato gourmet que ele inventou, da mesma forma como ela o recebe para jantar duas vezes por semana. Um não dá palpite na organização da residência do outro. Seus gostos são muito distintos. Foi uma luta chegarem à escolha dos componentes do quarto compartilhado. Vivem bem e sentem que boa parte de sua harmonia se deve a esse jeito de organizar suas vidas.

Outra situação: ele mora em uma cidade; ela, em outra. Passam juntos a maior parte dos fins de semana — na casa de um, na de outro, ou viajando. Sentem saudade e acham que isso colabora com a alegria dos encontros. Os dois filhos mais velhos moram com o pai. A mais nova, com a mãe. Nos finais de semana, cada jovem vai para um canto, ou todos se reúnem na casa de praia da família.
Terceiro arranjo: os parceiros moram em bairros distantes. Falam-se todos os dias ao telefone ou trocam e-mails. Curtem os finais de semana na casa de um dos dois e aos domingos recebem os filhos dos casamentos anteriores para o almoço, que preparam juntos. Vivem assim há seis anos. Consideram-se namorados e estão felizes.

Um casamento conduzido em moldes tradicionais pode ser muito bom, mas muitas pessoas, embora o tenham escolhido, passam a sentilo como uma espécie de prisão, uma situação restritiva, e até impeditiva, a uma série de propósitos, de objetivos, de desejos. Há quem se sinta desconfortável com as numerosas tarefas, as interações, a casa movimentada, quando sua preferência seria por mais momentos de silêncio, ou pela simples liberdade de ocupar toda a cama na hora de dormir, coisas assim. Então, começam as queixas relativas à falta de liberdade e aos comportamentos compulsórios que se adotam com o casamento — além, claro, de uma certa nostalgia em relação à vida anterior.
Se nessa hora o casal tiver a tranquilidade necessária para discutir e identificar os problemas, poderá escolher um outro jeito de levar a relação, uma modalidade conjugal alternativa, que respeite os gostos e as preferências de cada um. Tudo em prol da harmonia da vida coletiva, que muitas vezes inclui filhos. Como já disse antes, porém, o sucesso da experiência dependerá da franca aceitação do arranjo pelos parceiros, com critério, discernimento e amorosidade.

Alberto Lima, psicoterapeuta junguiano