domingo, 2 de junho de 2013

Freak Show

Freak Show: as novas aberrações
O jovem direitista: é um espanto. Em vez de contrariar o conservadorismo dos pais, ele concorda com tudo com o que eles pregam. “Sim, mamãe”

 
Em 1932, o cineasta Tod Browning (1880-1962) causou escândalo em Hollywood ao lançar o filme Freaks, hoje um clássico. Para criticar um costume horrível da época, de exibir pessoas com deformidades em shows e circos, Browning escolheu um elenco de atores com vários problemas na vida real. Alguns tinham microcefalia, outro não tinha metade do corpo, um terceiro era um tronco, sem pés nem braços. O protagonista é anão. Eles se rebelam e acabam realizando uma vingança contra os seres humanos “normais” que os escravizavam. Hollywood não entendeu, a Inglaterra baniu o filme durante 30 anos e a brilhante carreira de Browning como diretor de filmes de terror como Drácula (1931) já era.

Felizmente os tempos de “feira de horrores” ficaram no passado. O que era considerado “aberração” já não é. Se houvesse um show de horrores hoje em dia não seria para rir de alguém com uma deficiência física ou mental, embora alguns pseudohumoristas brasileiros talvez desejassem, até porque atualmente as aberrações são outras. Nada a ver com anomalias congênitas, mas com deformidades de pensamento. Prodígios da natureza que a gente nunca podia imaginar que pudessem existir andam por aí assombrando o mundo.

Senhoras e senhores, alguns destes freaks do mundo moderno:

– O jovem direitista: é um espanto. Em vez do rapaz e moça que faziam de tudo para contrariar o conservadorismo dos pais, são jovens que concordam em tudo com o que eles pregam. “Sim, mamãe”, repete o jovem direitista bem nascido. A não ser que os pais sejam moderninhos demais, aí eles preferem se mirar nos avós fãs da ditadura. Em sua visão, os governos militares foram uma época de prosperidade à qual o Brasil deve muito, e o desrespeito às liberdades individuais e aos direitos humanos, apenas um detalhe. Já os guerrilheiros que foram presos, torturados e que deram a vida para lutar contra a ditadura são terroristas sanguinários. Os bizarros jovens de direita são radicalmente contra a maconha, “coisa de vagabundo”. Na faculdade, basta sentir o cheiro de um baseado que eles deduram para a polícia que circula pelo campus –sim, eles se mobilizaram para conseguir que o campus, antes um espaço de livre expressão, passasse a ser policiado. Os jovens direitistas estudam, é claro, Direito. E adoram ir à missa.

– A mulher machista: é assombrosa. Trata-se de uma mulher, geralmente jovem, que cospe em todas as realizações da liberação feminina. Acha, aliás, que não deve nada ao feminismo, pelo contrário. Defende que o feminismo é a razão de toda a “infelicidade” e “frustração” das mulheres de hoje. Por causa do feminismo, brada, se uma mulher optar por ser dona-de-casa será execrada! É muito triste, diz a mulher machista, não poder abdicar da profissão para cuidar da casa e dos filhos, pois se sentiriam constrangidas pelos olhares de reprovação das feministas, estas desalmadas, péssimas mães que não sabem nem fritar um ovo. Elas odeiam que uma mulher esteja na presidência, acham um desserviço, já que todo mundo sabe que os homens são superiores nestas tarefas. Lugar de mulher é sendo primeira-dama. Muito mais elegante, inclusive, tipo Jackie Kennedy. Mesmo porque todo mundo sabe que as feministas são todas horrorosas e nem se depilam, não é mesmo? Qualquer hora as mulheres machistas sairão em marcha pela aprovação da lei José da Penha, para reivindicar o direito de apanhar do marido.

– O palhaço sem graça: é de chorar. Eles sobem no picadeiro para supostamente serem engraçados, mas não conseguem causar nenhuma risada nem fazendo cosquinhas. A reação da platéia ao que eles falam beira a depressão. Quando o palhaço sem graça faz uma piada, tem gente que sente até vontade de vomitar. O formato favorito deles é o stand-up comedy, uma fórmula norte-americana de fazer humor do qual copiaram o nome, não a criatividade. Mas há também palhaços de circo engomadinhos que se apresentam na tevê com o único objetivo de vender produtos para as crianças, com suas musiquinhas chatas e repetitivas. Ah, gente, fazer rir é tão século 20…

– O roqueiro a favor do status quo: é de arrepiar os cabelos. Acabou-se o tempo do roqueiro que criticava a burguesia e o sistema. Hoje a onda é falar bem de quem tem grana, um “vencedor”, e elogiar a direita “progressista” –esta, sim, sabia o que era bom para o povo, este imbecil. O maior alvo do roqueiro reaça não é a estrutura social injusta ( “injusta por quê? para quem?”) ou as desigualdades, mas os esquerdistas, estes provocadores de ditaduras militares. Se fossem gravar músicas hoje em vez de escrever manifestos de direita, como preferem, os roqueiros escreveriam letras como “você é pobre porque não trabalhou, uou, uou”, “os milicos são gente mal-compreendida, di-da, di-da”, “saudades da ditadura, yeah, yeah, yeah”, “a favor do status quo quo quoooooo”. Não se espantem se qualquer dia começaram a gravar duetos com ídolos sertanejos em suas fazendas. O lado bom de terem surgido roqueiros assumidamente de direita é que não há mais lugar para os hipócritas que ganhavam dinheiro como rebeldes sem causa, com canções que nada tinham a ver com sua origem burguesa, às custas da rebeldia genuína alheia.
 
– O cristão odiento:
 
 

Venham, venham ver as aberrações! O espetáculo não tem hora para acabar.

Ravi Shankar

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Royalties - Bullying Federativo

 
Então já estão decidindo o que fazer com os royalties do Rio de Janeiro ? Para quem não sabe os royalties do petroleo do Rio são uma compensação a constituição de 1988, na qual o José Serra, o politico mais nefasto que já apareceu nesse país, negociou em troca da isenção do ICMS do petróleo na fonte. Isso significa que que o petróleo extraído no Rio é a única riqueza mineral que não gera ICMS ao estado produtor. Os royalties foram a compensação.

E agora, estados sem nenhum pudor e de olho gordo se reuniram num arrastão e resolveram tirar inclusive os royalties do Rio. Seria como se os gauchos exigissem royalties pelo ferro extraído em Minas. Um absurdo. E pouco importa aos outros estados se essa renda já esta incorporada as finanças do estado há décadas. Nem cogitam nenhum tipo de repercussão. Os fluminenses e cariocas que se danem. Não bastasse o Governo do Rio concordar em abdicar dos campos do pré-sal a serem explorados, a cobiça alheia é tamanha que querem tirar inclusive os royalties dos campos que já produzem a anos.


 Há antes de tudo uma questão de falta de caráter ai.. concordam ?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Aparecida - A santa que não apareceu


O culto de Nossa Senhora Aparecida foi instituído oficialmente pela Igreja Católica em 1904. Na ocasião o Núncio Apostólico no país procurava um culto para representar um padroeiro nacional para o Brasil. A escolha recaiu sobre controverso fato ocorrido em 1743, no qual um grupo de três pescadores teria encontrado uma estátua de terracota escura (argila) sem cabeça representando Nossa Senhora da Conceição no fundo do rio Paraiba do Sul na altura de Guaratinguetá (SP).
 
Ao contrário do que imaginam muitos fiéis, nunca houve uma "aparição" de nossa senhora e sim apenas o achado de uma estátua de barro quebrada. O motivo pelo qual a imagem se encontrava no fundo do rio Paraíba é que, durante o período colonial, as imagens sacras eram jogadas em rios ou enterradas quando quebradas. Também é controverso atribuir a figura da "santa" como sendo de raça negra, pelo simples fato de que a argila utilizada para sua moldagem era escura como era comum em muitas imagens de santos confeccionados na região de Santana do Parnaíba.
 
Apesar da inconsistência e fragilidade do "milagre" da estátua - os pescadores teriam pescado muitos peixes no dia que acharam a estátua - isso foi suficiente para que o Núncio Apostólico mistificasse a "santa" e a torna-se Padroeira do Brasil.

A santa padroeira do Brasil é portanto mais um exemplo acabado das manipulações e mistificaçôes da Igreja Católica no mundo. Uma santa encomendada..

sábado, 29 de setembro de 2012

Monteiro Lobato e a Ku Klux Klan


A censura ao livro Aventuras de Pedrinho é apenas a ponta do Iceberg do racismo do escritor Monteiro Lobato. Há muita gente interessada em salvar a reputação de um dos poucos escritores paulistas que rompeu as fronteiras do estado. Lobato era mais que racista, era um EUGENISTA. Declarou em carta a um amigo que usaria a Literatura para disseminar os princípios da Eugenia e estimular a sua prática. E seguiu para os Estados Unidos com a proposta de escrever sobre o tema, para ganhar grana alta - era ambicioso. Só que não se deu muito bem. Ninguém lá se interessou pela proposta dele, que voltou para o Brasil com o rabo entre as pernas. Aqui chegando lamentou a falta de uma Ku Klux Klan no Brasil. O que significa isto? Que tornou-se um prostituto da Literatura. Tem pessoas que dizem que por ser a Eugenia uma espécie de modus operandi político-científico predominante na época, era portanto natural essa inclinação dos intelectuais daquele tempo para tal prática criminosa, pois todos sabem que o princípio da Eugenia é a purificação da raça humana pela eliminação das etnias destoantes e dos seres humanos considerados "anormais" por problemas mentais e físicos. Mas considerar que todos os intelectuais da época avalizavam a Eugenia é um absurdo, pois, exemplificando, os Filósofos Humanistas anteriores a Lobato jamais apoiaram tal prática desumana. Este crime de Lobato - apoiar a Eugenia e contribuir para a sua expansão - é injustificável e, portanto, passível de REPARO no que concerne às suas consequências nas crianças de cor negra que hoje têm acesso à sua obra. O MEC está agindo de forma LEGAL, protegendo o Direito Constitucional dessas crianças. O Estado faz muito bem, pois, em cercar de todo cuidado o uso de sua obra pelas crianças. Obra com toques de racismo e eugenia. Portanto, de alto teor ofensivo à sensibilidade humana."
Professora Leila Brito (UFF)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Formas Alternativas de Relações Estáveis


Em busca de harmonia, alguns casais estão adotando arranjos conjugais que fogem à tradição. A experiência, está provado, tende a dar muito certo quando o estilo de relacionamento definido, a modalidade de moradia escolhida e a frequência dos encontros realmente expressam o gosto de cada um e os propósitos de ambos.

Eis uma situação: ambos residem no quinto andar; ele, no 51; ela, no 52. Eliminaram a parede que separava dois quartos e fizeram um aposento mais amplo, com dois banheiros. A leste, mora ela. A oeste, ele. A filha, uma jovem adulta, vive com a mãe. O filho adolescente, com o pai. O marido assina um jornal; a mulher, outro. Ele tem uma faxineira, que comparece duas vezes por semana. Ela tem uma empregada fixa. Cada um faz suas compras e gerencia a casa em consonância com seus hábitos pessoais. Cada um paga as próprias contas e ambos constroem um patrimônio comum. Por sorteio, definiram que a empregada dela limparia o quarto do casal. Há ocasiões em que ele a convida para provar o prato gourmet que ele inventou, da mesma forma como ela o recebe para jantar duas vezes por semana. Um não dá palpite na organização da residência do outro. Seus gostos são muito distintos. Foi uma luta chegarem à escolha dos componentes do quarto compartilhado. Vivem bem e sentem que boa parte de sua harmonia se deve a esse jeito de organizar suas vidas.

Outra situação: ele mora em uma cidade; ela, em outra. Passam juntos a maior parte dos fins de semana — na casa de um, na de outro, ou viajando. Sentem saudade e acham que isso colabora com a alegria dos encontros. Os dois filhos mais velhos moram com o pai. A mais nova, com a mãe. Nos finais de semana, cada jovem vai para um canto, ou todos se reúnem na casa de praia da família.
Terceiro arranjo: os parceiros moram em bairros distantes. Falam-se todos os dias ao telefone ou trocam e-mails. Curtem os finais de semana na casa de um dos dois e aos domingos recebem os filhos dos casamentos anteriores para o almoço, que preparam juntos. Vivem assim há seis anos. Consideram-se namorados e estão felizes.

Um casamento conduzido em moldes tradicionais pode ser muito bom, mas muitas pessoas, embora o tenham escolhido, passam a sentilo como uma espécie de prisão, uma situação restritiva, e até impeditiva, a uma série de propósitos, de objetivos, de desejos. Há quem se sinta desconfortável com as numerosas tarefas, as interações, a casa movimentada, quando sua preferência seria por mais momentos de silêncio, ou pela simples liberdade de ocupar toda a cama na hora de dormir, coisas assim. Então, começam as queixas relativas à falta de liberdade e aos comportamentos compulsórios que se adotam com o casamento — além, claro, de uma certa nostalgia em relação à vida anterior.
Se nessa hora o casal tiver a tranquilidade necessária para discutir e identificar os problemas, poderá escolher um outro jeito de levar a relação, uma modalidade conjugal alternativa, que respeite os gostos e as preferências de cada um. Tudo em prol da harmonia da vida coletiva, que muitas vezes inclui filhos. Como já disse antes, porém, o sucesso da experiência dependerá da franca aceitação do arranjo pelos parceiros, com critério, discernimento e amorosidade.

Alberto Lima, psicoterapeuta junguiano

terça-feira, 31 de julho de 2012

PSDB quer censurar Blogs


Serra quer censurar blogs
por Marcos Coimbra

Uma das sabedorias antigas dos mineiros ensina que, na política, não existem gestos gratuitos. Todos têm consequência.
E não só para quem os pratica. Muitas vezes, os efeitos de um ato individual atingem correligionários e companheiros.
Podem, por exemplo, afetar de maneira ampla a imagem do partido a que pertencem. Mudam a percepção da sociedade a respeito de seus integrantes. Quando é para o bem, ótimo. Mas pode ser para o mal.
Nesses casos, o ônus é compartilhado. Todos pagam por ele. A decisão da Executiva Nacional do PSDB de recorrer à Justiça contra os “blogueiros sujos” que o criticam é um desses.
O verdadeiro inspirador da ação foi o candidato do partido a prefeito de São Paulo, mas suas consequências negativas não se circunscrevem a ele. O gesto de Serra alcança coletivamente os tucanos.
Em si, é apenas uma reação tola. Que expectativa de sucesso tem o ex-governador? Será que acredita que conduzir o PSDB a uma cruzada contra os responsáveis por blogs que antipatizam com ele redundará em alguma vantagem para sua candidatura?
Movido por sua insistência, o partido representou à Procuradoria-Geral Eleitoral para denunciar o “uso de recursos públicos” no financiamento de “blogs, sites e organizações” que funcionariam como “verdadeiras centrais de coação e difamação de instituições democráticas”.
Na prática, o que o PSDB pretende é que empresas e bancos estatais sejam proibidos de comprar espaço publicitário em blogs contrários ao partido e às suas lideranças. A argumentação de que é movido pelo zelo de proteger as instituições é fantasiosa. Aliás, sequer cabe aos partidos políticos esse papel.
O que Serra quer mesmo — e não é de hoje – é impedir a manifestação de seus adversários.
Talvez tenha se acostumado com a convivência que mantém com alguns veículos e comentaristas da nossa indústria de comunicação. De tanto vê-los defendendo seus pontos de vista e acolhendo suas opiniões, convenceu-se que os críticos não mereceriam lugar para se expressar.
O fascinante na argumentação é que não o incomoda (ou a seu partido) que existam “blogs, sites e organizações (?)” — bem como revistas, jornais e emissoras de televisão e rádio — que recebam investimentos em propaganda do setor público e façam oposição até agressiva ao governo.
Parece que acham isso natural e que tais aplicações se justificariam tecnicamente. Se determinado veículo tem leitores, não haveria porque excluí-lo do plano de mídia de uma campanha de interesse de um órgão ou empresa pública. Fazê-lo equivaleria a puni-lo por um crime de opinião.
Se vale para os órgãos de comunicação hostis ao governo e ao “lulopetismo”, por que não se aplicaria no caso inverso? Seria errado anunciar em blogs com visitação intensa, apenas porque seus responsáveis não simpatizam com os tucanos?
Ou Serra e seu partido aplaudiriam se o governo proibisse que seus órgãos comprassem espaço publicitário na imprensa oposicionista?
A decisão sobre a alocação dessas verbas pode ser questionada com base em critérios objetivos: tem determinada emissora suficiente audiência para cobrar seus preços? Aquele jornal tem a circulação que afirma? O blog ou site em questão tem volume relevante de acessos?
Fora disso, é apenas castigar — ou querer castigar — quem tem opinião diferente.
Engraçado lembrar o destaque que o PSDB e suas figuras de proa, como Fernando Henrique, veem dando à internet na discussão do futuro do partido. Tomara que não pensem como Serra: que na internet só podem ficar os “limpos” — que os que o aplaudem, pois os “sujos” — que o questionam – devem ser banidos.