sábado, 6 de junho de 2009

O Mundo vai conseguir Evoluir ?

Os 192 chefes de estado ou de governo deverão se reunir nos dias 1, 2 e 3 de junho em Nova Yorque convocados pela ONU para discutirem a crise econômico-financeira e seus impactos sobre os diferentes países, especialmente sobre os pobres. Para prepará-la, o Presidente da Assembleia Miguel ‘Escoto Brockmann, ex-chanceler da Nicarágua, criou uma Comissão para a Reforma do Sistema Financeiro e Monetário Internacional constituída por 20 celebridades da economia e da politica sob a coordenação do prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz.

Os resultados já foram entregues e sabe-se mais ou menos os conteúdos principais. Como arco teórico, ético e humanístico que deve inspirar as novas medidas concretas é sugerida uma Declaração Universal do Bem Comum da Humanidade e da Terra, tarefa difícil de ser realizada por falta de tradição jurídica e social nesta área. Em seguida, se recomenda a criação de um Conselho Mundial de Coordenação Econômica, paralelo ao Conselho de Segurança, desdobrado em duas autoridades mundiais, uma que cuida da regulação financeira e a outra da concorrência na economia. Sugere-se uma reforma das instituições de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial) e uma regionalização das instituições financeiras que apoiam os processos de desenvolvimento. Pede-se ainda que, uma vez ao ano, os chefes de estado ou de governo de todo o mundo se encontrem para discutir o estado da Terra e da Humanidade e tomar medidas coletivas.

O grande temor é que esta reunião mundial seja esvaziada pelas pressões dos principais membros do G-20, enviando apenas representantes diplomáticos ou ministros. Por detrás destas pressões estão duas maneiras diferentes de enfrentar a crise atual.

Uma é a do G-20 que se reuniu em Londres em abril. Fundamentalmente se propõe salvar o sistema econômico-financeiro imperante para que, no fundo, tudo funcione como antes, com certos controles mas com níveis razoáveis de crescimento, mesmo sacrificando o equilíbrio da Terra e perpetuando o escandaloso fosso entre ricos e pobres. O propósito é o mesmo: como ganhar mais com o mínimo de investimento, competindo no mercado e considerando o estresse da natureza e a pobreza como externalidades.

A outra é dos grupos altermundistas, presentes em todos os estratos sociais do mundo e, em parte, assumida pela Comissão da ONU. Trata-se de situar a crise econômica no conjunto das demais crises: a energética, a alimentária, a do aquecimento global, a da insustentabilidade do planeta (passamos em 40% a capacidade de reposição dos recursos naturais) e a social e humanitária (quase um bilhão de pessoas abaixo da linha da pobreza). Mais que salvar o sistema trata-se de salvar a humanidade, a vida ameaçada e o planeta em estado caótico. O propósito é como garantir o bem viver em harmonia com os outros e com a natureza, produzindo conforme os seus ciclos, com equidade social e com solidariedade generacional.

Sendo o problema global, as soluções devem ser bembém globais. O único órgão glabal que existe é a ONU e é ela que deveria coordenar os esforços coletivos de enfrentamento da crise e não o G-20. Este não possui delegação para representar os demais 172 países, vítimas da crise global, cujas vozes não são escutadas.

As crises não surgem em vão. Elas emergem daquela Energia de fundo, carrgada de propósito, que comanda o universo, a Terra e cada um de nós e que está exigindo um novo patamar de civilização, capaz de desenhar um outro futuro de esperança. Face a esta gravíssima situação notam-se duas limitações: a primeira, é dos economistas que, por ofício, tratam de economia mas possuem parca acumulação em ecologia; por isso, como se vê em todas as partes, não incluem a natureza em suas ponderações como se a Terra fosse inesgotável e estivesse em ordem, como não está. A segunda é dos chefes de estado: depois de séculos de racionalismo e de materialismo ficaram todos embotados. Não percebem as mensagens que o universo e a Terra, como superorganismo vivo, lhes estão enviando no sentido de uma transformação. Por sua falta de escuta, acontece o que dizia Gramcsi:”o velho resiste em morrer e o novo não consegue nascer”. E assim perdemos a chance, das últimas, para um novo começo. E nos atolamos em nossas próprias crises.

Frei Leonardo Boff




quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Das Wiesse Band" - Michael Haneke


"Das Weisse Band" (A Fita Branca) do diretou austríaco Michael Haneke se passa em 1913, às vésperas da eclosão da Primeira Guerra Mundial, em um pequeno vilarejo na Alemanha. O barão, o pastor, o camponês, o médico e suas famílias vivem sob a ordem e a lei de Deus. Os pais são extremamente severos com seus filhos, com uma educação que não permite deslizes ou compaixão.

Até que estranhos acidentes começam a ocorrer e tomam a forma de um ritual punitivo. Mas punição a quê? Quem estaria por trás dessas agressões? Um professor, apaixonado pela governanta de uma das famílias, narra a história anos depois do ocorrido.

Haneke retorna com os elementos que fazem a força do seu cinema - o mistério dolorido de "Caché", a relação agressiva e autodestrutiva de "A Professora de Piano" - e acrescenta uma austeridade que lembra os filmes de Bergman. O pastor, por exemplo, remete diretamente ao pai severo de "Fanny e Alexandre".

Como sempre, essa boa história traz por baixo grandes reflexões políticas. Afinal, essa vida de muita rigidez, relações secas, cheias de hipocrisia e sem nenhum amor, que não aceita o erro ou o defeito (próprio ou nos outros), de alguma maneira conduziu à ascensão de Hitler e ao regime nazista alguns anos depois.

"Se um ideal, seja ele político ou religioso, se torna absoluto, ele torna-se inumano. Todos nós temos um ideal, mas não o seguimos sempre. Quando uma pessoa age 100% pelo seu ideal, está a um passo do terrorismo. E isso não vale só para a Alemanha nazista, mas para todas as sociedades", disse Haneke na entrevista coletiva.

domingo, 24 de maio de 2009

Soluções Alemãs - Quartier Schützenstraße








"Quartier Schützenstrasse" consiste de um bloco-quarteirão definido pelas ruas Schützenstrasse, Markgrafenstrasse, Zimmerstrasse e Charlottenstrasse construido entre 1994-1998.
O projeto está organizado em torno de dois pátios grandes e dois pátios pequenos interiores que enchem o bloco com a luz. A idéia é revitalizar a área mantendo o padrão dos antigos edifícios do século 19 destruídos na 2ª Guerra Mundial.
Plano mestre e design: Aldo Rossi

sábado, 23 de maio de 2009

Ateístas

Frases céticas de personalidades famosos, para se pensar:



"A Bíblia foi interpretada para justificar práticas más tal como, por exemplo, a escravidão, a carnificina de prisioneiros de guerra, os sádicos assassinos de mulheres acusadas de serem bruxas, punição capital por centenas de ofensas, poligamia e crueldade com animais. Foi usada para encorajar a crença na mais grosseira superstição e para desencorajar o livre ensino de verdades científicas. Nós não devemos nunca esquecer que, bem e mal, fluem da bíblia. Ela, portanto, não está acima da crítica."
Steve Allen

"Lida propriamente, a Bíblia é a força mais potente para o ateísmo jamais concebida."
Isaac Asimov

"O fato que um crente é mais feliz do que um cético não é mais pertinente do que o fato que um homem bêbado é mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa."
George Bernard Shaw

"Se você é um criacionista, por que você tenta falar sobre ciência? Você não tem fé? Você não acredita que Deus fez tudo? Por que você até mesmo considera a ciência?"
M. Smith-Slattery

"O cientista anseia encontrar e por fim compreender a verdade;O homem religioso quer que a verdade se encaixe em seu molde preconcebido.Então, como resultado...O cientista altera a sua percepção conforme os fatos;O homem religioso tenta mudar os fatos conforme suas crenças."
Anônimo

"Ser um ateu requer força mental, honestidade e bondade de coração encontradas em um entre milhares."
Samuel Taylor Coleridge, poeta, crítico, jornalista e filósofo Inglês

"A quem não é capaz de suportar virilmente esse destino de nossa época (intelectualização, secularização e racionalização) só cabe dar o seguinte conselho: volta em silêncio, com simplicidade e recolhimento, aos braços abertos e cheios de misericórdia das velhas igrejas, sem dar a teu gesto a publicidade habitual dos renegados. E elas não dificultarão este retorno. De uma forma ou de outra ele tem que fazer o 'sacrifício do intelecto' - isso é inevitável".
Max Weber

"Eu condeno os falsos profetas, eu condeno o esforço para afastar o poder da decisão racional, drenar das pessoas sua liberdade de escolha - e um montão de dinheiro na barganha. As religiões variam no seu grau de idiotice, mas eu rejeito-as todas. Para a maioria das pessoas, a religião é nada mais do que um substituto para o mal funcionamento do cérebro."
Gene Roddenberry, Criador da série Jornada nas Estrelas

"A Maioria das pessoas preferiria morrer à pensar; de fato, muitas o fazem."
Bertrand Russell

"Se você quiser salvar o seu filho da pólio, você pode rezar ou você pode vacinar... Tente a ciência."
Carl Sagan

"Duas mãos trabalhando fazem mais que milhares unidas rezando."
Anônimo

"A religiao é o que impede o pobre de matar o rico."
Napoleão Bonaparte

"Em última análise toda teologia, seja Cristã ou qualquer outra, é um maravilhoso exercício em lógica baseada em premissas que não são mais verificáveis - ou plausíveis - que a astrologia, quiromancia ou a crença no Coelho da Páscoa. A teologia pretende procurar a verdade, mas nenhum método poderia levar uma pessoa para mais longe da verdade do que essa charada intelectual. O propósito mais importante da teologia é perpetuar o status quo religioso. A religião, por sua vez, procura manter a estabilidade social necessária para sua própria preservação."
Joseph L. Daleiden, "The Final Superstition: A Critical Evaluation of Judeo-Christian Legacy", p.386

"Eu era ortodoxo na época em que estive a bordo do Beagle. Lembro-me de provocar gargalhadas em vários oficiais por citar a Bíblia como uma autoridade incontestável (...). Nesse período, entretanto, percebi pouco a pouco que o Velho Testamento (...) não merecia mais confiança do que os livros sagrados dos hindus ou as crenças de qualquer bárbaro. (...) Eu não estava disposto a desistir de minha crença com facilidade, lembro-me das inúmeras vezes em que inventei devaneios com a descoberta de antigas cartas entre romanos ilustres e de antigos manuscritos em Pompéia, ou em algum outro lugar, que confirmassem de maneira admirável tudo o que estava escrito nos Evangelhos. Mas eu tinha uma dificu1dade cada vez maior, soltando as rédeas de minha imaginação, de inventar provas suficientes para me convencer. Fui tomado lentamente pela descrença, que acabou sendo completa. A lentidão foi tamanha que não senti nenhuma aflição, e desde então nunca duvidei de que minha conclusão foi correta. Aliás, mal comigo entender como alguém possa desejar que o cristianismo seja verdadeiro."
Charles Darwin, Autobiografia 1809 – 1882

"A ignorância suplica confiança mais freqüentemente do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco, e não os que sabem muito, que afirmam tão positivamente que esse ou aquele problema nunca serão resolvidos pela ciência."
Charles Darwin, Introdução, The Ascent of Man, 1871

"Eu sou contra a religião porque ela nos ensina a nos satisfazermos ao não entender o mundo."
Richard Dawkins

"A fé é poderosa o suficiente para imunizar as pessoas contra todos os apelos de piedade, de perdão, de sentimentos decentes humanos. Ela até as imuniza contra o medo, se elas honestamente acreditarem que a morte de um mártir irá levá-las diretamente ao paraíso. Que arma! A fé religiosa merece um capítulo para si mesma nos anais da tecnologia de guerra em pé de igualdade com o arco-e-flecha, o cavalo de guerra, o tanque, e a bomba de hidrogênio."
Richard Dawkins, O Gene Egoísta

"Se render à ignorância e chamá-la de Deus sempre foi prematuro, e continua prematuro até hoje."
Umberto Eco

"Foi, é claro, uma mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Eu não acredito em um Deus pessoal e eu nunca neguei isso mas expressei claramente. Se existe algo em mim que pode ser chamado de religioso, esse algo é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo tão longínqua quanto a nossa ciência pode revelar."
Albert Einstein, físico Americano nascido Alemão

"Religião não serve para todos. Orações podem trazer consolo para o esgotado, o fanático, o limitado, o ignorante e o preguiçoso - mas para o culto é o mesmo que pedir para o Papai Noel trazer algo para o Natal."
W. C. Fields

"As mulheres ainda sentirão orgulho por não terem jamais contribuído uma linha sequer na redação da Bíblia."
George W. Foote

"[É] possível atrever-se a considerar a neurose obsessiva como o correlato patológico da formação de uma religião, descrevendo a neurose como uma forma de religiosidade individual, e a religião como uma neurose osessiva cultural."
Sigmund Freud, Atos obsessivos e práticas religiosas-1907 (Enviada por Mauricio Fernandes Lucio)

"Já uma vez antes, como crianças de tenra idade, nos encontramos em semelhante estado de desamparo, em relação a nossos pais. Tínhamos razões para temê-los, contudo estávamos certos de sua proteção. Com relação à distribuição dos destinos, persiste a desagradável suspeita de que a pereplexidade e o desamparo da raça humana não podem ser remediados. Isto justifica o anseio do homem pelo pai e pelos deuses, que mantém sua tríplice missão: exorcizar os terrores da natureza, reconciliar os homens com a crueldade do destino, particularmente a demonstrada pela morte, e compensá-los pelos sofrimentos e privações que a vida lhe impôs. Assim se criou a religião, da necessidade que tem o homem de tolerar o desamparo, e construída com o material das lembranças do desamparo de sua própria infancia, na continuação de um protótipo infantil universal."
Sigmund Freud, O Futuro de uma Ilusão

"A religião é comparável com uma neurose da infância."
Sigmund Freud, psicólogo Austríaco

"Religião organizada: O maior esquema pirâmide do mundo."
Bernard Katz

"Quando os missionários chegaram pela primeira vez na nossa terra, eles tinham as Bíblias e nós tínhamos a terra. Cinqüenta anos depois, nós tínhamos as Bíblias e eles tinham a terra."
Jomo Kenyatta, primeiro Presidente do Quênia após a independência

"A beleza da mania religiosa é que ela tem o poder de explicar tudo. Uma vez que Deus (ou Satã) são aceitos como a primeira causa de tudo que acontece no mundo mortal, nada é deixado à sorte... a lógica pode ser alegremente jogada pela janela."
Stephen King

"Ubi dubium ibi libertas (Onde há dúvida, há liberdade)"
Provérbio Latino

"As experiências religiosas são como aquelas induzidas por drogas, álcool, doença mental e privação de sono: Elas não contam nenhuma estória uniforme ou coerente, e não há qualquer teoria plausível para justificar as discrepâncias entre elas."
Michael Martin, "Ateísmo: Uma Justificação Filosófica"

"O invisível e o inexistente se parecem muito."
Delos B. McKown, Ph.D. Professor americano, filósofo, autor, ex-padre

"O criacionismo foi criado. A evolução evolui."
John Nicholson


Redenção

Etimologicamente Redenção vem de redimir, remir que significa adquirir de novo, libertar, compensar, reparar... Para os cristãos, Jesus redime a humanidade pagando o preço com sua paixão e morte na cruz.Do ponto de vista judaico, redenção significa estar redimido de todo o mal. Males do corpo e da alma, males da criação e da cultura.
O Cristo Redentor é um monumento localizado no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do nível do mar inaugurado em 12/10/31, desenhado pelo escultor parisiense Paul-Maximilien Landowski. A estátua é considerada a maior obra de estilo art nouveau do mundo.
Em 2007 o Cristo Redentor, juntamente com outros 6 lugares do planeta foi eleito numa votação mundial uma das Maravilhas do Mundo Moderno, reforçando sua simbologia de Ícone Nacional.
Os direitos de uso comercial da imagem de Cristo no Corcovado pertencem à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro. Por isso houve uma grande polêmica quando a imagem da estátua foi usada na propaganda da cachaça Sagatiba.














sexta-feira, 22 de maio de 2009

Wall Street 2

Wall Street 2
A crise não perdoa e a Twentieth Century Fox já esta preparando uma sequencia de "Wall Street" (1987), onde Michael Douglas vestirá mais uma vez a pele de Gordon Gekko, um especulador sem escrúpulos, depois deste ter cumprido a sua pena de prisão. Michael Douglas ganhou o Oscar do melhor ator quando interpretou Gekko em "Wall Street".

"Wall Street" (1987) é um filme do diretor Oliver Stone que acerta em cheio uma série de perversões do ultra-liberalismo econômico. Se acreditássemos em bruxas "Wall Street" seria uma profecia do devaneio econômico das décadas que se seguiram. Há que reconhecer mérito em Oliver Stone, que ainda nos anos 80 antecipou práticas sobre o funcionamento dos mercados como o desfasamento entre o lucro e a produção. Percebeu também que os primeiros a pagar as más práticas econômicas de investidores e de especuladores são os trabalhadores, representados no filme pelos empregados da companhia aérea regional Blue Star. Oliver Stone sublinha esta relação causa-efeito ao aproximar a alta finança e o mundo do trabalho através do envolvimento de Carl Fox (Martin Sheen), um trabalhador da Blue Star, nas negociatas do seu filho Bud Fox, um corretor da bolsa (Charlie Sheen).O filme é um magnífico registro de como esta crise começou, sobretudo quando pensamos que o filme de Oliver Stone foi subestimado no momento em que estreou. Vamos aguardar a sequência.

Oclocracia



A Oclocracia (do grego okhlos, multidão/ralé/plebe e kratos, poder) pode ser definida como o abuso que se instala no governo democrático quando pessoas de conduta errática se tornam senhores dos negócios públicos.

Para Aristóteles, ochlokratía significava "governos dos piores", onde prepondera a plebe, a multidão e onde o poder é por ela exercido. Não é, rigorosamente, uma forma de governo, mas uma situação crítica que vivem instituições ao sabor da erraticidade e irracionalidade de seus condutores. Indica portanto, o jugo imposto pela "ralé" sic ao poder legítimo e à lei, fazendo valer os seus intentos acima de quaisquer questionamentos éticos.

Em uma situação de Oclocracia ocorre uma ampla contaminação da perda do discernimento da sociedade sobre o que é certo e errado, uma vez que as condutas erráticas passam a ser aceitas e "normais", até mesmo pelas elites.

É claro que a mobilidade social existente no mundo moderno é louvável, mas também não se pode negar que o acesso de indivíduos de conduta questionável nas instituições é extremamente facilitado e permitido. Os chamados "emergentes" ascendem com grande velocidade à elite governamental e financeira, sem no entanto que sua ascenção - algumas vezes por meios escusos - tenha a mesma evolução e respaldo no campo ético-moral e intelectual.

Os sinais dessa degeneração estão bastante visíveis em inúmeros setores da sociedade:

Política
Na democracia (governo do povo, da maioria), uma vez que um governo eleito democraticamente é nada mais do que reflexo de seus cidadãos, é alto o risco desse governo degenerar para uma Oclocracia, devido ao baixo rigor ético-moral de sua população. A livre democracia termina por alçar à elite política, elementos de condutas duvidosas, onde até mesmo candidatos com comprovada ficha criminal conseguem eleger-se.

Policia
A instituição que tem a função de promover a ordem, degenerou a tal ponto que transformou-se em sua antítese. Em vez de combater a criminalidade, tornou-se a principal fomentadora da corrupção cotidiana, que vão de pequenas extorsões e conluios até a formação de milícias organizadas.

Justiça
Desvirtuou-se de sua função e passou a funcionar meramente como um instrumento de locupleção e vantagens financeiras, com a omissão e patrocinio dos proprios juizes. Pode-se dizer que a justiça de hoje virou um casino, uma loteria. São cada vez mais comum as condutas questionáveis de advogados que atuam como verdadeiros marginais com o respaldo da própria lei.

Corporações
Não há duvidas que as práticas danosas das corporações empurraram o mundo para a recente crise mundial uma vez que a ordem é maximizar os lucros sem se preocupar com as consequências. Para atingir metas muitas vezes questionáveis, os executivos e funcionários acabam por perder o discernimento e a fazer o que dá mais lucro, negligenciando o que é correto e ético.

Jornalismo
Os órgãos de imprensa e mídia também chamados "Quarto Poder" travam entre si uma verdadeira guerra pela audiência e ibope, levando os editores e jornalistas a deixar de lado o rigor e a sobriedade profissional e renderem-se ao sensacionalismo, ao tendenciocismo e à baixa qualidade da informação.