quarta-feira, 20 de maio de 2009

Gomorra

"Imagine uma cidade
Construida pelo crime
Imagine seu povo
Dominado pelo medo
Imagine o sistema
Envenenado pela corrupção
Ninguém é inocente
Nenhum lugar é seguro
Ninguém se salva"

Não, não é o Rio de Janeiro
A cidade é Napoles, Itália

Gomorra" é um filme de Matteo Garrone baseado na obra do mesmo nome do jornalista napolitano Roberto Saviano. Saviano está sob ameaça de morte desde 2006, residindo em local secreto e vigiado por uma escolta policial permanente. "Gomorra" é uma ficção construída a partir de investigações realizadas por Saviano sobre a rede econômica da Camorra em Nápoles, em particular sobre as negociatas que envolvem o tráfico de droga, o tráfico de lixo tóxico e a exploração na industria de confecções.
Tendo em conta a atual situação da Itália, onde a criminalidade é indecentemente imputada aos ciganos e aos estrangeiros, "Gomorra" é um filme oportuno que refresca a memória dos mais distraídos, aqueles para quem os crimes da máfia passaram a ser matéria corrente e por isso esquecidos. Tal como o demonstra "Gomorra", a violência da Camorra não é comparável aos pequenos crimes que são imputados aos ciganos, é uma violência brutal e permanente que não tem paralelo em toda a Europa, é uma violência de uma cidade que em grande parte é terra de ninguém. Ali em Nápoles, tal como na Sicília, Berlusconi não tem pulso para tomar o mesmo tipo de medidas securitárias que tem implementado no resto do país contra os ciganos."Gomorra" é composto por quatro histórias paralelas, cada uma abordando diferentes setores de influência da Camorra e diferentes níveis de atuação, do pequeno bandido que trabalha por conta própria ao baronato que gere as redes locais.
"Gomorra" representa a violência com muita crueza a par com as raras ilhas de dignidade que algumas mulheres e homens tentam manter no meio do caos social, embora pagando por isso o preço mais elevado. O filme é falado em dialeto napolitano, opção que lhe confere mais autenticidade, mas obriga a ler as legendas mesmo quem fala italiano.







domingo, 17 de maio de 2009

Níveis de Consciência

Níveis de Consciência:
1) O mundo mais elementar. Neste mundo, representado pelos degraus mais baixos da escada, reina a ignorância e o medo. O indivíduo que vive nele só se interessa pelo que o beneficia sem importar-se se fere ou destrói outros. É corrupto, capaz de qualquer ação prejudicial ou criminal. Não existe consciência nele, porque aquela parte do ser humano ainda não foi desenvolvida. É inseguro, sente-se sozinho, é agressivo e qualquer argumento serve para iniciar violência. Desconfia de tudo e de todos. O mundo dele é um verdadeiro mundo cão.

2) Despertando a consciência. Subimos alguns degraus da escada e o nosso mundo se transforma. O indivíduo que vive neste mundo já tem noção do "certo" e "errado". Evita atos criminais, não porque é algo que possa prejudicar outros, mas porque tem medo das conseqüências que sabe, podem muito bem ser negativas para ele.

3) Desenvolvendo a consciência. Agora estamos no meio da escada e o nosso mundo se transforma de novo. Já subimos bastante degraus, mas faltam também bastante degraus para subir. À medida que o homem começa a compreender-se melhor e ter confiança em si e suas realizações, abre-se a sua mente ao que há de bom e construtivo na vida. A auto-estima cresce, se fortalece e ele sente-se satisfeito com o próprio desempenho. Compreende que não está só no mundo, mas é parte da humanidade. Ele sabe compartilhar, abraçar outros. Vive num mundo bem diferente do mundo elementar.

4) O indivíduo que se descobriu (ou se encontrou). Este indivíduo chegou ao topo da escada. Descobriu sua força e riqueza interior. Sente satisfação e harmonia e está totalmente aberto para a vida. Não ignora os aspectos negativos da vida em geral, mas dirige a sua atenção ao que existe de bom e positivo e colabora até onde pode para melhorar a vida de outros, pois sente-se rico e quer retribuir. Sente amor. O amor é na verdade o sentimento positivo mais potente que existe, porque nele não há sombra de medo.

Todos nós projetamos aquilo que sentimos. Para contribuir para a felicidade de outros, você tem de sentir-se feliz. A pessoa infeliz ou descontente não consegue acrescentar nada de positivo na vida de ninguém. Irradiamos e respondemos de acordo com aquilo que sentimos, porque o sentimento é a essência de nossa vida.

Divã

Divã conta a história de Mercedes.

Mercedes é uma mulher que não tem do que reclamar: é bonita, bem vivida, casada, mãe de dois filhos, sempre próxima a sua melhor amiga Mônica e é muito feliz. Aparentemente a vida dela é perfeita, o que desperta a curiosidade dela mesma em descobrir o porquê de sua vida ser tão completa. É quando Mercedes resolve fazer análise com um psicanalista, Dr. Lopes, para descobrir o motivo de não ver nem a sombra dos problemas.

O que Mercedes não imaginava era que sua vida iria mudar a partir do dia em que ela entrasse naquele consultório. Ao longo de seu tratamento psicológico, Mercedes descobre muitas insatisfações próprias, assim como a necessidade de se conhecer cada vez mais fundo, a vontade de aproveitar cada momento, de realizar sonhos e desejos que não sabia que existia.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Abolição vs Palmares

Dia 13 de maio comemora-se mais de 120 anos de Abolição da Escravidão, certamente uma das datas mais importantes e emblemáticas da história do Brasil. No entanto serão muito tímidos os festejos de comemoração à redenção. Isso porque interesses corporativistas terminaram por tirar todo o brilho e importancia que a data representa.
A partir da década de 1970, os dirigentes do movimento negro numa atitude de conotação racista passaram a rejeitar o dia 13 de Maio, dia da Abolição da Escravatura por enfatizar muitas vezes a "generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração de um "ato de bondade de uma branca".

Não há como negar: a Princesa Isabel foi realmente a grande protetora dos abolicionistas. Financiava a alforria de ex-escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo. Ao assinar a Lei Áurea, contrariou os latifundiários sacrificando dessa forma o próprio reinado à causa dos negros.Escreveu o abolicionista Joaquim Nabuco: "No dia em que a Princesa Imperial se decidiu ao seu grande golpe de humanidade, sabia tudo o que arriscava. A raça que ia libertar não tinha para lhe dar senão o seu sangue, e ela não o queria nunca para cimentar o seu trono. Mas ela não hesitou: uma voz interior disse-lhe que um grande dever tem que ser cumprido, ou um grande sacrifício que ser aceito. Se a Monarquia pudesse sobreviver à abolição, esta seria o apanágio. Se sucumbisse, seria o seu testamento..."
O Barão de Cotegipe, ao cumprimentar a princesa, vaticinou: "Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono". Mas a Princesa não hesitou em responder: "Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil". Isabel era partidária de outras idéias modernas, como o sufrágio feminino e a reforma agrária. Documentos recentemente descobertos revelam que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco do Brasil e do Banco Mauá.
Para substituir o culto à Princesa Isabel o Movimento Negro decidiu procurar uma figura mais combativa e de sua própria raça. Na ausência de personagens mais adequados optou-se pela escolha de Zumbi, que reuniu escravos fugidos num Quilombo em Palmares (AL). Assim todo e qualquer reconhecimento aos esforços da "branca" Princesa Isabel foram abandonados pelo movimento.

Não bastou, nem mesmo que inúmeros pesquisadores e historiadores, tenham se apressado a advertir que a luta de Palmares não era contra a iniqüidade desumanizadora da escravidão. Ao contrário, muitos escravos de engenho eram capturados e convertidos em cativos dos quilombos. Só era alterada a subjugação de senhores brancos para negros. E se algum desses escravos fugissem dos Palmares, eram enviados negros no seu encalço e, se capturado, tinham que ser executados pela ‘severa justiça’ do quilombo.
Erra portanto, o movimento negro, que por razões puramente racistas, optou por desprezar uma figura virtuosa por outra errática. Isso faz com que se questione quais valores o Movimento Negro defende ? O MN não pode menosprezar valores como Honestidade, Caráter, Justiça etc uma vez que não são valores dos "brancos" e sim valores universais. Martin Luther King sonhou com o dia em que viveria em um mundo onde as pessoas não seriam julgadas pela cor da sua pele, mas pela força do seu caráter. O Movimento Negro pensa diferente.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Essa Sociedade merece Sobreviver ?

O atual Presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel d’Escoto Brockmann, ex-chanceler da Nicarágua sandinista, está conferindo rosto novo à entidade. Tem criado grupos de estudo sobre os mais variados temas que interessam especialmente à humanidade sofredora como a questão da água doce, a relação entre energias alternativas e a seguridade alimentar, a questão mundial dos indígenas e outros.

O grupo talvez mais significativo, envolvendo grandes nomes da economia, como o prémio Nobel Joseph Stiglitz é aquele que busca saídas coletivas para a crise econômico-financeira. Todos estão conscientes de que os G-20, por mais importantes que sejam, não conseguem representar os demais 172 países onde vivem as principais vítimas das turbulências atuais. D’Escoto pretende nos dias 1, 2 e 3 de junho do corrente ano reunir na Assembléia da ONU todos os chefes de estado dos 192 países membros para juntos buscarem caminhos sustentáveis que atendam à toda a humanidade e não apenas aos poderosos.

O mais importante, entretanto, reside na atmosfera que criou de diálogo aberto, de sentido de cooperação e de renúncia a toda a violência na solução dos problemas mundiais. Sua sala de trabalho está coberta com os ícones que inspiram sua vida e sua prática: Jesus Cristo, Tolstoi, Gandhi, Sandino, Chico Mendes entre outros. Todos o chamam de Padre, pois continua padre católico, com profunda inspiração evangélica. Ele é homem de grande bondade que lhe vem de dentro e que a todos contagia.

Foi sob sua influência que o Presidente da Bolívia Evo Morales pôde propor à Assembleia Geral que se votasse a resolução de instaurar o dia 22 de Abril como o Dia Internacional da Mãe Terra, o que foi aceito unanimemente. Foi honroso para mim poder expôr aos representantes dos povos os argumentos científicos, éticos e humanísticos desta concepção da Terra como Mãe.

Tudo isso parece natural e óbvio e de um humanismo palmar. Entretanto – vejam a ironia – representantes de países ricos acham o comportamento do Padre muito esquisito. Apareceu há pouco tempo um artigo no Washington Post fazendo eco a esta qualidade. Dizia o articulista que Miguel d’Escoto fala de coisas estranhíssimas que nunca se ouvem na ONU tais como solidariedade, cooperação e amor. Em seus discursos saúda a todos como irmãos e irmãs (Brothers and Sisters all). Mais estranho ainda, diz o articulista, é o fato de que muitos representantes e até chefes de estado como Sarkosy estão assumindo a mesma linguagem estranha.

Meu Deus, em que nível do inferno de Dante nos encontramos? Como pode uma sociedade construir-se sem solidariedade, cooperação e amor, privada do sentimento profundo expresso na Carta dos Direitos Humanos da ONU de que somos todos iguais e por isso irmãos e irmãs?
Para um tipo de sociedade que optou transformar tudo em mercadoria: a Terra, a natureza, a água e a própria vida e que coloca como ideal supremo ganhar dinheiro e consumir, acima de qualquer outro valor, acima dos direitos humanos, da democracia e do respeito ao ambiente, as atitudes do Presidente da Assembleia da ONU parecem realmente estranhíssimas. Elas estão ausentes no dicionário capitalista.

Devemos nos perguntar pela qualidade humana e ética deste tipo de sociedade. Ela representa simplesmente um insulto a tudo o que a humanidade pregou e tentou viver ao longo de todos os séculos. Não sem razão está em crise que mais que econômica e financeira é crise de humanidade. Ela representa o pior que está em nós, nosso lado demens. Até financeiramente ela se mostrou insustentável, exatamente no ponto que para ela é central.

Esse tipo de civilização não merece ter futuro nenhum. Oxalá Gaia se apiade de nós e não exerça sua compreensível vingança. Mas se por causa de dez justos, consoante a Bíblia, Deus poupou Sodoma e Gomorra, esperamos também ser salvos pelos muitos justos que ainda florescem sobre a face da Terra.

O teólogo Leonardo Boff é autor de Do iceberg à Arca de Noé, (Garamond,Rio.)

sábado, 2 de maio de 2009

Mordor e o Olho de Sauron


Boromir: "o proprio ar que voce respira é um gás venenoso"


Na Saga "O Senhor dos Anéis" havia Mordor, o Lar do Maligno Sauron. Era uma terra cinzenta, escura e sombria, cercado por rios e vales pútridos e fétidos liberando gases densos e densas nuvens que bloqueavam os Raios Solares, por isso lá o ar era pesado e um tanto venenoso.

Pois Mordor existe !!! E fica no Brasil !

Qualquer semelhança com São Paulo, pode não ser mera coincidência. Quem sabe não foi a inspiração de Tolkien ?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

"Capitalismo não está funcionando"

Manifestações anti-capitalismo tomam conta das capitais européias

Várias manifestações anti-capitalismo estão sendo organizadas e realizadas na Europa com protestos contra o capitalismo.








Uma multidão formada por ambientalistas, sindicalistas, estudantes, ativistas e membros de ONGs marchou até o centro financeiro da capital britânica para protestar contra o capitalismo, a especulação e a ganância dos bancos. A manifestação, rodeada de medidas de segurança sem precedentes, antecedeu a reunião do G-20, que iniciou no mesmo dia em Londres.

A manifestação alastrou-se a outras ruas de Londres, mas atingiu basicamente a zona financeira da cidade. As palavras de ordem entoadas pelos manifestantes visaram os banqueiros e os líderes dos países mais ricos, responsabilizados pela crise financeira, econômica e social. O centro da manifestação acabou por formar-se junto ao Banco de Inglaterra, tendo partido de vários pontos da cidade.

Os manifestantes organizaram várias ações simbólicas, uma das quais representava os quatro cavaleiros do apocalipse: a guerra, as alterações climáticas, os crimes financeiros e os que ficaram sem casa e carregavam cartazes sobre diversos temas, da proteção ambiental à luta contra o capitalismo, hoje, em Londres Cerca de 35 mil manifestantes, segundo números da Scotland Yard, foram ao centro da capital britânica, agitando bandeiras e cantando refrãos, pedindo aos governantes das 20 maiores potências industrializadas e emergentes para "combater a pobreza e as mudanças climáticas" e criar "um mundo mais justo e equitativo".

A marcha foi convocada pela aliança "Put People First" (dê prioridade às pessoas, em tradução livre), que reúne cerca de 150 organizações como sindicatos e grupos ambientalistas. É a primeira de dezenas de manifestações organizadas por ocasião do G20, que já colocaram a polícia britânica em estado de alerta. Não foi registrado qualquer incidente, informou a polícia.
"Capitalismo não está funcionando", "Outro mundo é possível", "Salvem as crianças, não os banqueiros", diziam os cartazes na manifestação Cantando, tocando tambores e apitos e agitando bandeiras e cartazes em todos os idiomas, os participantes do protesto se mostravam unidos em sua indignação contra o atual sistema e seus governantes.

"Os que governam revelaram sua ineficiência na hora de enfrentar os verdadeiros desafios, que são a pobreza, a fome, a desigualdade", disse à France Presse Sandra Marinni, que veio de Roma para participar da marcha.

Muitos denunciavam em especial os banqueiros. "Nosso governo está mais preocupado em salvar os banqueiros do que em criar empregos e ajudar as pessoas", reclamou Barry Beckett, eletricista do norte de Londres.

Os incidentes junto ao edifício do Royal Bank of Scotland foram uma das poucas excepções, com vários manifestantes entrando no banco e provocando desacatos em protesto contra os escândalos financeiros envolvendo esta instituição, que foi salva da falência por fundos públicos.

Manifestações parecidas aconteceram neste sábado em outras capitais europeias, como Paris e Berlim, também por ocasião da cúpula do G20 --que acontecerá no dia 2 de abril no Excel Centre, leste de Londres.

Outras marchas semelhantes estão sendo organizadas nas cidades de Berlim, Paris, Madrid e Roma, algumas estão programadas para o 1º de maio, o dia internacional do trabalho.